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Lula do futuro olha para o presente


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Publicado em 20 de janeiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Urariano Mota
 
Esta recente visita de Lula a Pernambuco me deixou a 
pensar: qual novo texto deveria fazer sobre ele?
Sei que seria mais simples escrever “Lula do presente olha para o futuro”. E nesse caso, falaria sobre os projetos do presidente em desenvolvimento. Como aqui, em 18/01/2024. quando ele fala à Folha de Pernambuco:
 “Você não sabe a minha satisfação em anunciar a retomada da ampliação da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) e de investimentos no Complexo Industrial Portuário de Suape, que fazem parte do Novo PAC. Obras que já deveriam ter sido concluídas, mas que foram interrompidas por uma visão menor de desenvolvimento do Brasil, por um processo ensandecido onde se destruíam empresas e empregos ao invés de punir os criminosos. No final, as maiores vítimas foram o Brasil e seu desenvolvimento”.
Escrever sobre projetos em pleno curso, outros já realizados em apenas 1 ano de mandato, que poderiam ser mencionados, se o texto fosse “Lula do presente olha para o futuro”. Mas não importa mais saber como o Lula do futuro olhará para o presente. E para isso, não será preciso esgotar a fantasia, cometer inverossimilhanças, imaginar mentiras, confortáveis ilusões. O ponto simples é ver a natureza do presidente a olhar o Brasil na sua posteridade. Sem feitiço ou bruxaria, pomos um olhar adiante e outro agora. Como aqui, sobre as consequências deste lindo projeto:
 “A Política Nacional de Trabalho Digno e Cidadania para a População em Situação de Rua (PNTC PopRua). A legislação tem como objeto a promoção dos direitos humanos dessa parcela da população em relação às políticas de trabalho, renda, qualificação profissional, além de ações para elevar a escolaridade.
No escopo da nova lei, é considerada pessoa em situação de rua quem faz parte do grupo populacional heterogêneo que utiliza os logradouros públicos como espaço de moradia e de sustento, bem como as unidades de acolhimento institucional para pernoite eventual ou provisória, por situação de vulnerabilidade social ou vínculos familiares interrompidos ou fragilizados”.
Então Lula dirá no tempo vindouro: “O quanto falavam mal da minha gente. Começa, que não eram tratados como gente. Eles não eram pessoas em situação de rua. Eram vistos como se fossem moradores de rua. Como se a rua parisse monstrinhos do ócio e do crack. A mídia, a classe média e metidos a classe média não viam, nem queriam ver, que as pessoas estavam nas ruas por falta das mínimas garantias de sobrevivência. Então muitas e muitos se levantaram para uma vida melhor”.
Os bolsonaristas, aqueles entes pré-históricos, no futuro estudados em museus dos horrores da humanidade, chegaram a divulgar que o auxílio reclusão pago por Lula seria de 1.800 reais, maior que o salário mínimo de 2024. Ser preso, falavam, era uma vantagem, segundo os fascistas. E plantavam mentiras, calúnias, desinformação, com a maldade de que o presidente era um aliado de bandidos e ladrões. Muito pior: era um deles. E quem falava tais coisas? Assim vê o presidente Lula no futuro: “Sabe?, eu acho muito engraçado quem me acusava das piores coisas. Sabem o que é? Eles se olhavam no espelho e me acusavam de ser as suas imagens. Hoje, todos viram que Bolsonaro, Moro e canalhas de plantão foram presos. Tiveram o privilégio de proteção especial, porque os condenados injustamente por eles queriam acertar as contas. Hoje, os herdeiros dos condenados contra a democracia têm o repúdio da história. Esta é a verdade”.
E tantos projetos, tantas transformações reais na vida do povo brasileira ele verá. Que luta, que vitórias, que feitos dignos de gravação em aço, páginas de romance, poesia e memória ele verá. Enumerá-los aqui, mostrar todos os seus frutos, seria pagar o pecado injusto da descrença. Poderiam até falar que exagero. Melhor ver a natureza do presidente.
Então, do seu futuro, Lula olha para trás. E vê de onde partiu e em que ponto alto está. Tão longe da miséria mais triste da própria vida, mas tão perto do sentimento com que ela o marcou. Aqui, ele volta a ser um menino cujo único patrimônio é a própria mãe. A guerreira absoluta feita de coragem, criatividade e amor. A mulher que inventava comida das pedras, das ervas, do mato. A que era humilhada, espancada e sofria em silêncio o desprezo. A própria definição das mães brasileiras e de todo o mundo. Então, lá do alto do seu luminoso futuro, Lula já não mais se importa de ser o presidente da humanidade, o homem respeitado em todas as nações, querido por tantos povos brancos, amarelos, negros, humanos e gente, enfim. Aonde ele foi, queriam abraçá-lo, beijá-lo nas mais diversas línguas, crianças, mulheres, homens de todos os lugares e climas. Então ele, cuja maior ambição foi ser digno de servir a toda gente, tem um sobressalto. Sente um oco no peito. “Quão rico fui, meu Deus. Mas tudo isto é nada. Toda esta glória não vale uma lágrima da minha infância. Eu só queria mesmo era ter a riqueza da minha mãe ao meu lado”. Então ele se aproxima do paraíso.
E como numa paráfrase do poema Irene, de Manuel Bandeira, nós o vemos.
Imagino Lula chegando ao céu:
– Dá licença, São Pedro?
E o porteiro São Pedro:
– Quem é você?
Lula responde:
– Eu sou apenas o filho de Dona Lindu.
E São Pedro em bondade:
– Entra, Lula. Você não precisa pedir licença.
 
* Urariano Mota, jornalista do Recife. Autor dos romances “Soledad no Recife”, “O filho renegado de Deus” e “A mais longa duração da juventude”. (vermelho.org.br)
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