A economia sergipana anda maldas pernas. Não há estatística relacionada ao mercado de trabalho local que situe o estado em posição cômoda. Em contexto assim preocupante, de estagnação e penúria, há justa expectativa de que o governo estenda a mão aos empregadores e prestadores de serviço, a fim de colaborar com a recuperação do setor produtivo. Belivaldo Chagas e o governador eleito Fábio Mitidieri, no entanto, fizeram justamente o contrário.
Os fatos falam por si mesmos. Ao apagar das luzes de uma gestão que deixou muito a desejar em matéria de economia, Belivaldo achou justo aumentar o imposto sobre a circulação de mercadorias e a prestação de serviços. Significa impor também o aumento de preços, indiferente a reflexos previsíveis na geração de empregos e no orçamento das famílias mais pobres, já maltratadas pela ausência de oportunidades de trabalho e a depressão da renda doméstica.
O Projeto de Lei nº 283/2022, de autoria do Poder Executivo, já aprovado pela Assembleia Legislativa de Sergipe, tira com uma mão o que foi dado antes, com a outra. Segundo a propositura, o objetivo da majoração no ICMS é neutralizar as perdas de arrecadação provocadas pela queda incidente sobre os combustíveis, energia elétrica e comunicações.
Convém sublinhar, entretanto, Belivaldo não é o único gestor insensível nessa história. Uma decisão como o aumento de impostos ao fim de um governo não é tomada sem a concordância de seu sucessor, ainda mais quando este é um aliado. O governador de Sergipe, os deputados da Alese e o governador eleito Fabio Mitidieri são igualmente responsáveis por uma carga de impostos inesperada, jogada sem mais nem menos sobre os ombros do trabalhador.

