Rian Santos
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Sou amigo de Lelê Teles antes mesmo de o conhecer. Mais ou menos pretos, afirmo com um rasgo de ironia identitária, egressos da classe trabalhadora, somos também progressistas convictos, dos pés à cabeça feita. Escrevemos. Afirmamos, assim, a nossa improvável permanência no mundo.
Em uma cidade com as dimensões sensíveis de Aracaju, tão acanhadas, o nosso encontro era mera questão de tempo. Um belo dia, Marcos Cardoso avisa: estaremos todos no Bar do Camilo. Lelê também.
Temos interesses em comum, eu e Lelê. A curiosidade a respeito do prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, bolsonarista juramentado, no entanto, supera a obviedade.
Ontem, Lelê assumiu a Comunicação da Prefeitura de Itabaiana. Encontramo-nos pouco depois do convite, em pleno Carnaval. Desde então, estou ciente de que Valmir vai encarar tudo e todos, o prefeito do agreste sergipano vai para o pau.
Publicitário com larga experiência em campanhas eleitorais, Lelê não assumiria um cargo estratégico como a de Secretário de Comunicação como quem aceita uma proposta de emprego. Há muito em jogo na sua decisão. Talvez, até, o futuro de Sergipe.
Valmir de Francisquinho é um sujeito político com com o condão de despertar sentimentos ambivalentes. Direitoso todo, desses que evocam Deus e a família na primeira oportunidade, ele também reúne muita inteligência em torno de si mesmo. Desde Antonio Samarone, secretário municipal de Cultura, até o próprio Lelê.
A simples disposição de bagunçar os planos eleitorais do governador Fábio Mitidieri, implícita numa eventual candidatura de Valmir, enche o peito de muita gente com um sopro de esperança. Eu mesmo, por exemplo, sou a favor da briga. Na falta de uma candidatura viável à esquerda, o embate possível resta resumido à oposição de um bolsonarista.

