Rian Santos
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A excepcionalidade é própria dos cometas.
Qualquer um que proclame direito à herança política do saudoso Marcelo Déda salienta, portanto, a sua baixa estatura, a própria irrelevância, posta-se à sombra de um gigante.
Quem herda não furta, está certo. Mas só há verdadeiro mérito em calos feridos nas palmas das próprias mãos. Fala-se aqui em matéria palpável – um prédio erguido a partir do nada, pedra por pedra, por exemplo. E também na arquitetura do sensível.
Rogério Carvalho foi beneficiário e partícipe, sim, do projeto administrativo encarnado por Marcelo Déda, o fato é inegável. Mas, nem por isso, cabe ao senador alguma espécie de reivindicação relacionada aos bons feitos de Déda. E a uma tal Luciana Déda, filiada ao Republicanos, aliada da prefeita Emília Corrêa, cabe muito menos. O sangue nas veias, o DNA de cada um, neste particular, é o de menos.
A dor, a luta, as raras alegrias da vitoriosa trajetória política vivida por Marcelo Déda, homem de carne e osso, pertenceram exclusivamente a ele mesmo. E foram compartilhadas em vida no recato de uma convivência íntima com quem o governador bem entendeu.
À luz de discussão tão infeliz, suscitada pelo uso eleitoral da memória de Marcelo Déda, resta evitar qualquer comparação, a bem do decoro. Em verdade, oportunismo à parte, poucos na história de Sergipe teriam condições de se bater com o governador petista, uma estrela luminosa, olhos nos olhos, ombro a ombro.


