Marchas e desfiles no Sete de Setembro

Perigo concreto e muita cartolina (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
As paradas do Sete de Setembro evocam as páginas mais vergonhosas da História. As tropas marcham, orientados por uma banda marcial, numa demonstração vulgar de poderia bélico. E afirmam por uma imposição de volume, razão de todo exército, o enunciado da força.
 Trata-se, aqui, de uma festa cívica, dizem certos patriotas. Fosse assim mesmo, entretanto, o Sete de Setembro não serviria de pretexto para a expressão do bolsonarismo mais abjeto.
 Uma fração do povo brasileiro – cada vez menor, felizmente – se entende majoritária, com o direito matemático de avançar sobre supostas minorias. E se mostra coberta de verde e amarelo, fardada, no feriado dedicado à proclamação da República.
 Ruim de conta, ruim de argumento, o exército tresloucado dos seguidores de Bolsonaro já se mostrou capaz dos maiores estragos. Não se trata apenas de ferir o decoro, espancar o bom gosto, contrariar o bom senso, sob o resguardo da Bíblia e da bandeira nacional. Nos atos golpistas do dia 08 de janeiro, o bolsonarismo chegou às vias de fato.
 É bom que as forças de segurança estejam atentas e atuem para identificar eventuais ameaças durante o Sete de Setembro. As autoridades da República precisam monitorar a movimentação dessa gente. O perigo concreto não é mais de protestos e vaias, como é praxe nas cerimônias com a presença de autoridades públicas. O bolsonarismo trabalha por uma guerra.
 No Sete de Setembro, crianças marcham, imaginam-se soldados. Diferente destes, no entanto, desfilam, apenas, fantasiadas, munidas da inocência própria da idade, papel crepom e cartolina.
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