Rian Santos
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Bolsonaro é página virada. Os bolsonaristas, no entanto, permanecem entre nós, feito erva daninha, uma praga difícil de extirpar.
Ninguém está a salvo, não há círculo social, nem ambiente imune às sementes perversas espalhadas pelos reacionários. Mesmo nos espaços dedicados ao pensamento, entre intelectuais e artistas, o obscurantismo floresce, exalando o odor podre da ignorância, a pestilência dos preconceitos mais fedidos.
Segundo o relato de uma professora da rede estadual de ensino, uma visita programada ao Memorial de Sergipe com os seus alunos, último dia 25, resultou em constrangimento e revolta.
À frente do conjunto de música antiga Renantique, durante apresentação no Memorial, o músico Emmanuel Vasconcelos fez do palco um palanque, a fim de alardear a sua própria visão de mundo. Para azar de todos os presentes, o sujeito é um bolsonarista convicto.
De simples adjetivo, desagua um caudaloso repertório de absurdos. Em tal oportunidade, por exemplo, Emmanuel teorizou, a seu próprio modo, babando ironia vulgar, sobre racismo estrutural, Gilberto Freire, história e ciência. Assim, não precisou mencionar o ex-presidente condenado por tentar um golpe de estado para se postar à extrema direita, atolado em esterco, como apraz a todo bolsonarista raiz.
O episódio teve repercussão. Além do relato já mencionado, distribuído e replicado nas redes sociais, pelo menos uma integrante do Renantique já se desligou do conjunto. A cantora Yasmim Bonifacio repudiou as declarações do colega e avisou que segue carreira solo.
Aqui, convém ligar dois pontos. O Memorial de Sergipe, inaugurado há alguns anos, com muita pompa, recebe o nome do professor Joubert Uchôa. Talvez por isso Emmanuel tenha se sentindo tão à vontade. O leitor há de lembrar: O magnífico reitor da Universidade Tiradentes frequentou o acampamento bolsonarista armado em frente ao Quartel do Exército. Logo, Uchôa também sonhou com o golpe.


