“Não há obra mais cara do que uma obra interrompida, como a duplicação da BR-101.”
Inaugurado há dois meses, em presença do presidente Jair Bolsonaro, um trecho duplicado da BR-101 não resistiu a dois pingos de chuva e já se transformou em uma imensa cratera. De acordo com os técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), não há data prevista para as obras de reparação.
O volume de chuvas em Sergipe não justifica transtorno tão grande. Tudo indica, a obra foi realizada aos atropelos, com enorme prejuízo de recursos públicos. De acordo com o governo federal, o investimento na duplicação da BR-101 está orçado em R$ 203,8 milhões. Isso, sem contar os embargos e aditivos impostos ao longo de tanto tempo, desde o início dos trabalhos.
Longe de ser concluída, a duplicação da BR-101 já dura mais de uma década, a previsão mais otimista era de conclusão ainda em 2018. Mas, aparentemente, uma espécie de maldição paira sobre toda e qualquer obra realizada às margens da rodovia. Nesse intervalo, milhões em recursos públicos foram consumidos sem nenhum resultado. Por enquanto, a obra só produziu perdas, incômodo e prejuízo.
Não há obra mais cara do que uma obra interrompida, como a duplicação da BR-101, que joga dinheiro pelo ralo há muitos anos sem gerar benefícios sociais. Os anos passam, os governos passam, a população prejudicada arrisca a própria vida.


