Rian Santos
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Um homem, um voto. O princípio fundamental da Democracia moderna parece ter escapado ao olho gordo de Fabio Mitidieri.
Dedicado a um projeto de poder familiar, voltado exclusivamente para o próprio umbigo, o governador de Sergipe se fia em compromissos firmados com oligarquias ultrapassadas pelos acontecimentos a fim de satisfazer a sua ambição, alheio às inclinações do populacho.
As contas do governador talvez fizessem sentido em outro tempo, quando os eleitores votavam sob o cabresto dos coronéis. Hoje, isso de dizer que fulano de tal tem tantos e quantos prefeitos, com um número estimado de votos correspondentes, chega a ser temerário.
Até nisso, Mitidieri exala o bafo pesado do passado. E abraça André Moura como se a sua simples presença no palanque governista fosse garantia de votação expressiva no interior do estado. Contra tudo, contra todos, os dois estão fechados.
Enquanto esteve deputado federal, André Moura realmente se prestou ao papel republicano de amenizar a enorme demanda por recursos da classe política local junto ao governo de turno em Brasília. Para o governador, as boas relações do pré-candidato André Moura, construídas nesse breve período, pesam mais do que a sua controversa biografia de gestor público.
Eleito governador de Sergipe, há quatro anos, apesar da derrota política computada nas urnas (o itabaianense Walmir de Francisquinho ganhou, mas não levou), Fabio Mitidieri tem lá as suas razões para fazer pouco caso da vontade soberana do povo. Em outubro, no entanto, quando os eleitores voltam a ser consultados, o Zé Povinho vai ter a rara chance de falar grosso perante os todo poderosos. E desta vez terá também a última palavra.


