O dito e o feito

Duas faces da mesma moeda (Arquivo)
Rian Santos
riansantos@jotnaldodiase.com.br
Em minha modesta opinião, o passado de cada um é o mais implacável entre os juízes deste mundo. Em Sergipe, no entanto, uma névoa espessa parece envolver a vida pregressa dos homens públicos. Pouco importa o que tenham dito e feito no exercício do poder, o prestígio eventualmente desfrutado lhes acompanha até a cova.
O pendor de Belivaldo Chagas, para este ou aquele lado, tem o potencial de mudar o rumo de Sergipe. As faltas de um passado ainda recente deveriam tirar o seu sono. Mas ele manda e desmanda, como quem dorme o sono dos justos.
Belivaldo errou feio, errou rude. Não me refiro, aqui, ao êxito relativo de sua gestão no governo do estado, limitado ao feijão com arroz da mediocridade burocrática e fiscal. Atenho-me, antes, às escolhas reveladoras de seu caráter, em conformidade com o temperamento do homem.
Sem mais nem menos, Belivaldo achou justo passar a mão grande no dinheiro pouco dos aposentados. O confisco de 14% dos benefícios durou meses a fio, até a véspera da sucessão estadual, sem outro proveito notável, além de forrar os esvaziados cofres do estado. O tempo passou. Belivaldo fez o seu sucessor, justamente Fábio Mitidieri. Os proventos subtraídos por força de indecorosa manobra legislativa, contudo, jamais foram devolvidos aos velhinhos.
No exercício do cargo, Belivaldo era dado a falar grosso. Quem não lembra a sua reação quando Sadi Gitz estourou os próprios miolos, durante a solenidade inaugural de um seminário sobre o mercado de gás? “Vida que segue”, exortou o então governador, visivelmente aborrecido. O desespero de um empresário à beira da falência estragara o cronograma.
O rompimento entre Belivaldo Chagas e Fábio Mitidieri ainda não suscitou a comparação necessária entre um e outro. Em verdade, no entanto, os dois compartilham da mesma sensibilidade embrutecida. Se um subtraiu, o outro se recusa a reparar o mal-feito. Farinha do mesmo saco, duas faces do mesmo tostão furado, eles nunca consideraram as dificuldades deliberadamente criadas na vida de tanta gente. E ainda não responderam por isso.
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