Dadas as circunstâncias ingratas, a no vela da Fafen teve o final mais feliz pos sível. Anteontem, depois de muitas idas e vindas, a direção da Petrobras finalmente assinou contrato de arrendamento das fábricas de fertilizantes nitrogenados localizadas na Bahia e em Sergipe.
O arrendamento tem previsão de durar dez anos, podendo ser prorrogado por mais uma década. Tempo de sobra para centenas de trabalhadores diretamente afetados pela hibernação da fábrica em Laranjeiras dormirem tranquilos. Foi o sono justo destes, aliás, a principal preocupação das autoridades empenhadas no funcionamento pleno da Fafen.
De fato, o contexto no qual a hibernação da Fafen foi anunciado é bastante preocupante. O projeto do Governo Federal para o nordeste brasileiro, lugar de "paraíbas", nas palavras reveladoras do presidente Jair Bolsonaro, já ficou claro em diversas oportunidades. No que diz respeito a Sergipe, contudo, nenhum gesto foi tão explícito quanto o plano de desinvestimento colocado em prática pela direção da Petrobras.
Passo a passo, paulatinamente, a Petrobras se retira e se afasta de Sergipe. Primeiro promoveu a hibernação da Fafen, depois lançou sucessivas versões de um temível Programa de Demissão Voluntária. A intenção de fechar as portas das unidades locais é notável.
Finalmente, uma boa notícia. Operando a pleno vapor, a Fafen não será capaz de ocupar sozinha o rombo deixado pela Petrobras na economia local. Mas ajuda a mitigar as perdas acumuladas em geração de renda e empregos.


