O melhor remédio

(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Em crise, vá ao cinema. Não há melhor remédio no receituário médico.
Quando o calo aperta, melhor espelhar o mal na tela grande, a fim de o enxergar por inteiro, dos pés à cabeça, de cabo a rabo. Pouco importa se a dor crava dentes afiados num cotovelo romântico, ou abre covas coletivas, como numa pandemia.
Fala-se aqui de Cinema, em letra maiúscula, um exercício de linguagem e reflexão alheio ao comércio de pipoca que sustenta as maiores redes de exibição. Há, sim, filmes leves e divertidos, dignos de apreciação. Mas estes lidam com os caninos do tempo a sua própria maneira. Se há poesia, alguma ferida também sangra ali.
Vejam o caso de Kléber Mendonça. Autor por trás de extensa filmografia, chamou a atenção do mundo com um filme francamente panfletário, um meme com duas horas de duração. ‘Bacurau’, no entanto, deu um aviso, em alto e bom, vocalizando o grito de guerra preso na garganta de muita gente, a partir de uma pequena cidade fictícia, encravada nos cafundós do Brasil: “Se for, vá na paz”.
Aparentemente, o diretor segue sensível ao pulso do momento. ‘O agente secreto’, seu filme mais recente, foi ovacionado em Cannes. E ganha uma feliz estreia local, em exibição gratuita, justamente na abertura do maior dos nossos festivais de Cinema, o Curta-Se. O anúncio antecipa uma grande catarse, e alguma possibilidade de expiação.
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