O “show” de Edson Gomes

Danou-se... (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Algum momento, Edson Gomes decidiu, o artista e os seus botões: cantar não basta!
Ele tinha o coração cheio, a ponto de explodir. Precisava abrir a boca. Desde então, danou-se a falar besteira…
No palco do Lollapalooza 2026, último fim de semana, Edson Gomes, o homem de opinião, resvalou de novo em meias verdades e mentiras completas. No ápice da pregação reacionária, entre uma música e outra, comparou escravos e beneficiários do programa Bolsa Família.
Não é a primeira de Edson Gomes. Certamente não será a última. No seu imenso repertório de declarações infelizes, para dizer o mínimo, ele ataca sindicalistas, chamados de “canalhas”; o Dia da Consciência Negra, caracterizada como uma “distração”; e afirma que os comunistas estão em campo, nos quatro cantos do Brasil, “caçando nossas crianças”.
Daí pra baixo, como se nota no “show” mais recente. Negro, pobre, egresso da classe trabalhadora, cantor de reggae, uma expressão artística marginalizada, não há nada em sua biografia e trajetória profissional capaz de fazer crer em um pendor reacionário. Contra todas as expectativas, no entanto, Edson Gomes venceu na vida. E repete agora o discurso forjado pelos donos do mundo, na ponta da língua de todos os vencedores, palavra por palavra.
Edson Gomes deveria se olhar no espelho, com urgência, sem olhos de paixão, feito um Narciso brigado consigo mesmo. Ao contrário dos brasileiros supostamente escravizados pelos programas de transferência de renda, o público bonito e bem nutrido dos festivais não tem nada a ver com o cantor.
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