O STF não é um teatro

(Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O tribunal virou palco. Foi assim que “Vossa excelência” virou xingamento dos mais cabeludos. As câmeras de prontidão nos tribunais superiores se encarregam de divulgar a ofensa entre os pobres mortais, no meio do populacho.
Há quem lamente a espetacularização do processo judicial. Eu não. Há no palavrório próprio dos homens de toga um valor de grandeza estética, a delícia de mesuras estranhas ao comum das gentes, um show de civilidade digno de monarquias seculares.
Na corte, brilham os doutos. O texto declamado com heroísmo ensaiado ataca de latim, francês e, se vacilar, até aramaico. A defesa menciona “a volúpia do encarceramento”, sugerindo manchetes para o jornal do dia seguinte. O povão acompanha, tentando entender: Finalmente, Bolsonaro verá o sol nascer quadrado?
As sessões do STF, com transmissão ao vivo, são fenômeno revelador de uma sensibilidade embrutecida. Assim, pouco importa a jurisprudência e uma eventual repercussão de qualquer julgamento nas instâncias inferiores. Mais importante é o placar, a comoção do prezado público, a adesão irrefletida e a reação das torcidas organizadas.
Gladiadores da retórica, os ministros do STF esgrimem votos, considerações e, principalmente, adjetivos fora de moda. Nos embates de maior escândalo, um e outro é ferido de morte, ergue a voz esgoelada, vencido, com o ego em sangue, vive o drama completo da própria vaidade.
O STF, contudo, não é um teatro.
Compartilhe esta notícia