O tal do business

Forró de plástico (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O nosso forró pé de serra desembarcou na França, enfeitado com floreios de sanfona, mais repiques de triângulo e zabumba, em vestes de um autêntico produto do tipo exportação. Foi levado pelo governo do estado, aproveitando uma carona em caravana promovida pelo Consórcio Nordeste. Talvez mereça lá o carinho negado em sua própria pátria.
Imagino o espanto de um eventual visitante chegado do velho mundo, ludibriado pelas promessas da Cultura. Cá em nossas praias, em plena Nação Nordestina, o desavisado encontraria somente chororôs de arrocha, mais a música pop da banda Calcinha Preta.
Sim, Mestrinho é nosso! Presença garantida nos palcos erguidos pelo poder público local, o sanfoneiro é favorecido por uma espécie de cota. Fato inegável, a programação dos grandes eventos do ciclo junino é dedicada à depravação do forró de plástico. Aqui, a Tradição enraizada na memória não passa de pretexto para shows milionários, contratos suspeitos, eventos superlativos – o tal do business.
Bom seria se, aliado ao feliz esforço de vender nosso forró na outra banda do mundo, o governo de Sergipe propagasse as suas virtudes também nas praças, feiras e palcos da aldeia. Talvez, assim, os sergipanos pudessem também tomar gosto e se esbaldar com o ronco de uma boa sanfona, como  é certo que  outros fazem agora lá nas lonjuras das Oropa.
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