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O vagão de Osmário no Expresso 2222


Publicado em 23 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Antonio Passos

Foi Gilberto Gil quem descreveu a morte como uma viagem feita no Expresso 2222, uma espécie de bonde onde “não se pega e entra e senta e anda” e cujo trilho “é feito um brilho que não tem fim”.
Aqui na nossa aldeia o pulo pra fora da existência humana é geralmente recebido com tristeza por quem fica e prevalece a noção de que é totalmente aleatório, conforme o dito popular “ninguém sabe a hora da morte”.
Porém, tenho percebido que há alguma arrumação nesses chamamentos. Há um ajuntamento de pessoas afins que vão sendo levadas a embarcar no expresso, em grupos.
Pode prestar atenção. Quanto morre uma pessoa famosa no mundo das artes, por exemplo, nos dias seguintes ou quando muito no espaço de um mês vai junto mais alguém do mesmo círculo… Parece que o critério inclui a principal atividade desempenhada aqui na terra.
Vejam o caso do nosso querido Osmário Santos. Foi, não faz muito tempo, antecedido pela festejada e exitosa colunista social Thaís Bezerra. Na mesma data na qual pôs os pés no vagão do expresso lá entraram também os jornalistas Antero Greco e Sylvio Luiz, apenas um dia depois de Apolinho.
As coordenadas geográficas e os relógios aqui da terra podem até insinuar alguma proximidade, mas não coincidem precisamente com as passagens e paragens do Expresso 2222.
Thaís Bezerra e Osmário estavam em Aracaju, Apolinho no Rio de Janeiro, Antero Greco e Sylvio Luiz em São Paulo, porém parecem participantes do mesmo embarque. Num mesmo momento que para nós, entretanto, abarca maior lapso.
Nos grupos a grandeza de cada um é refletida nos demais, independentemente do lugar onde tenham exercido individualmente seus dons. No caso aqui relatado o talento e graça para a comunicação social.
Em Sergipe, Osmário produziu um vasto acervo de dados biográficos sobre gente sergipana, corpos e espíritos presentes e contemporâneos dele. Abundantes palavras impressas que são fonte fundamental para os futuros historiadores sociais.
Siga em paz meu amigo Osmário e ofereça por onde for, “num véu de nuvem brilhante”, o olhar terno e o sorriso sempre aberto que tanto brotaram de ti cá entre nós.

* Antonio Passos é jornalista

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