Rian Santos
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O tempo só anda de ida, é verdade. Mas o verso certeiro do poeta Manoel de Barros não considera os desvios da História. Basta um cochilo. Ao menor vacilo, os reaças nos púlpitos e nos parlamentos engatam a marcha ré, rumo a um mundo conformado à própria imagem e semelhança.
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Em tal contexto, o Orgulho LGBT, com todos os acréscimos apensados à sigla original, celebrado hoje em Sessão Especial na Assembleia Legislativa de Sergipe, se faz mais urgente. A iniciativa da deputada Linda Brasil tem um propósito claro: Trata-se de preservar conquistas ameaçadas.
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A representação popular nas casas legislativas, aliás, deixa muito a desejar, desde Brasília. Para cada Linda Brasil em posse da palavra, há dezenas de brutamontes dispostos a distribuir mordaças.
Um destes, pastor em vestes de deputado federal, o lobo em pele de cordeiro das parábolas, já tentou impor obstáculos ao reconhecimento da união homoafetiva por força de argumentos os mais esdrúxulos.
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Dado a uma interpretação da Constituição Federal completamente desprovida de nexo, o tal Pastor Eurico afirma, por exemplo, que “nos termos constitucionais, nenhuma relação entre pessoas do mesmo sexo pode equiparar-se ao casamento ou a entidade familiar”.
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Ele continua: “aprovar o casamento homossexual é negar a maneira pela qual todos os homens nascem neste mundo, e, também, é atentar contra a existência da própria espécie humana”.
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O leitor achou pouco? Pois o sujeito vai além e defende: “A palavra ‘casamento’ representa uma realidade objetiva e atemporal, que tem como ponto de partida e finalidade a procriação, o que exclui a união entre pessoas do mesmo sexo”.
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Os ególatras de bíblia em punho sabem que não há qualquer controvérsia legal a respeito da união civil homoafetiva desde 2011, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em decisão unânime, a equiparação da união homossexual à heterossexual. Ou seja, confirmou em âmbito jurídico uma contingência da vida real: a união de pessoas do mesmo sexo constitui entidade familiar. Ponto final.
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Em outro contexto, a patacoada do Pastor Eurico, um nanico sem nenhuma estatura política, com mandato até 2027, não teria a menor chance de prosperar. Hoje, no entanto, esbirros da extrema direita neopentecostal tupiniquim disputam o espólio do bolsonarismo. Eles não possuem pudor, nem senso de ridículo.


