A subalimentação crônica, nível mais extremo provocado pela insegurança alimentar, atingia 4,7% da população do Brasil entre 2020 e 2022. Isso significa que, em números absolutos, 10,1 milhões de pessoas sofrem com a fome no país. Os dados estão no relatório global Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, divulgado por cinco agências especializadas das Nações Unidas (ONU).
Os números provam não somente a realidade da fome, mas também a urgência de políticas públicas dedicadas ao problema.
O assunto interessa muito aos sergipanos. Segundo o IBGE, quase a 40% da população de Sergipe vive em situação de pobreza e extrema pobreza.
De fato, a situação dos mais pobres é desesperadora em todo o Brasil. Segundo levantamento da rede PENSSAN divulgado há alguns meses, 30% das famílias brasileiras, 3 em cada 10 núcleos familiares, enfrentam algum nível de falta de alimentos e passam fome. Em termos proporcionais, a restrição no acesso à alimentação é maior no Norte e Nordeste do país. Alagoas é o estado em que essa situação é mais frequente, atingindo 36,7% das famílias pesquisadas. Em segundo lugar, vem o Piauí, com 34,3%, seguido pelo Amapá, com 32% dos domicílios nessa situação. Na sequência, estão Pará e Sergipe, ambos com 30% da população atingida.
No ranking da fome, Sergipe se destaca entre os primeiros colocados. A letargia econômica, sublinhada por levantamentos diversos, a exemplo da retração do consumo no comércio varejista, constatada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entretanto, pode ser constatada a olho nu. A população sujeita à mendicância cresce em ritmo inversamente proporcional à criação de oportunidades.


