Palanque ou camarote?

Será? (Ricardo Stuckert/PR)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Tudo indica, as vaias dos sergipanos acompanharão a caminhada eleitoreira do governador Fábio Mitidieri, até outubro. Cada passo, cada parada, deve oferecer nova oportunidade para os humilhados arreganharem a boca e exibirem, num urro, todos os dentes.
Ontem, o principal alvo do escárnio popular foi o senador Laércio Oliveira, convidado a subir no palanque de Mitidieri em presença do presidente Lula. Em verdade, no entanto, todos ali têm razões de sobra para temer uma nova explosão de repúdio.
Com a vaia, o populacho condenou não apenas a postura política de Laércio, avessa aos anseios do povão, mas também as composições forjadas com boa dose de cinismo pelo governador sergipano.
A visita de Lula, um gesto inegavelmente eleitoreiro, um evento inflado de números e amanhãs, escancara a falta de escrúpulos do governador. Reunir inimigos declarados como André Moura e o senador Alessandro Vieira não lhe bastou. Era preciso impor a presença de Laércio Oliveira, um bolsonarista juramentado, entusiasta do golpe que tramou o assassinato de Lula, à militância aguerrida do Partido dos Trabalhadores.
Palanque não é camarote, onde sobe quem o leão de chácara permite. Expõe-se, ali, as forças políticas engajadas na esperança de tomar determinado rumo.
O PT de Lula e o bolsonarismo, ficou mais uma vez explícito no discurso do presidente, têm nortes opostos. E, até agora, ninguém sabe ao certo para que lado o governador de Sergipe vai despencar.
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