Palco vazio

Nem um pio (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ontem, 27 de março, Dia Mundial do Teatro, não havia um único espetáculo em cartaz nos palcos da terrinha. A data passou em brancas nuvens. Atores, atrizes, dramaturgos, técnicos da imensa cadeia produtiva das artes cênicas, ninguém deu um pio.
Segundo o governo de Sergipe não há mesmo nenhuma razão para reclamações. O palco erguido nas diversas vilas temáticas que pontuam o calendário de eventos estadual seria suficiente para contemplar o marginalizado Teatro Serigy.
Há controvérsia. Embora a inclusão das artes cênicas na programação das tais vilas temáticas tenha, sim, o condão de aproximar elenco e público, nem tudo é festa. Convém considerar a enorme complexidade da linguagem teatral.
Difícil imaginar, por exemplo, a memorável montagem de Esperando Godot realizada por Isaac Galvão e Luiz Carlos Reis, meados dos anos 90, na programação da Vila do Forró. Ali, onde o maior propósito dos visitantes é o rala-bucho, a fruição possível é de outra ordem. A densidade abissal de alguns espetáculos exige outra atmosfera, outro ambiente.
Há precedentes, sementes que desafiaram o solo ingrato e deram frutos. Há muitos anos, uma companhia local insuflou energia inédita no cenário artístico da aldeia, realizando festas, promovendo encontros, ocupando espaços.
Reconhecida pelo governo federal como mantenedora de um Ponto de Cultura, a Cia Stultifera Navis sustentou uma agenda regular de apresentações teatrais, anos a fio. A plateia atraída pelos grupos de teatro sergipanos fazia fila no entorno da Praça Camerino. A cena artística da aldeia nunca mais foi tão feliz.
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