Por trás de um nome

Incompatível com a Constituição (Arquivo)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A prefeita Emília Corrêa quer uma polícia municipal, com nome e sobrenome estampado em fardas e viaturas, nas ruas de Aracaju. Deu-se, aliás, ao trabalho de enviar um Projeto de Lei para a Câmara de Vereadores com tal fim. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, frustrou a pretensão da gestora, por incompatível com a Constituição.
A julgar pelo entusiasmo da prefeita após a breve mudança de nomenclatura, aprovada com folga na subserviente Câmara da capital sergipana, o apelido atribuído à Guarda teria o condão de validar a sua natureza operacional. Os diversos episódios de beligerância incontida, desvio de finalidade, uso desproporcional da força, contudo, apontam o equívoco de Emília.
De fato, não se espera um trato truculento de simpático guardinha. No dia a dia da capital sergipana, entretanto, a suposta cordialidade da Guarda Municipal vem sendo desmentida, aos sopapos.
Infelizmente, não há exagero na afirmação. Quem não lembra do furdunço no estúdio Bacamarte, zona norte da cidade? O empresário Thiago Sansão contratou um show da banda de punk rock Bozo Kill. Após a divulgação do evento, os guardas de Emília tomaram as dores do bolsonarismo, inflamado por suposta apologia à morte do “mito”, e passaram a rondar o estabelecimento, uma insistência ameaçadora, dias e noites a fio.
Quando me detenho sobre fatos e personagens, assim, tão delicados, os amigos em volta, jornalistas experientes incluídos, recomendam-me cuidado. Entendo a preocupação. “Uma rosa é uma rosa é uma rosa” – evocando aqui, uma vez mais, a célebre tautologia modernista da poeta Gertrude Stein. E a Guarda Municipal de Emília, responda a qualquer alcunha, não é flor que se cheire.
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