Punição a Sérgio Moro terá valor inestimável

* Rômulo Rodrigues

Tem períodos na história que mesmo aparentando serem pequenos, produzem fatos, personagens e acontecimentos cabíveis em um século, mesmo que possa ser contado em pouco mais de uma década.
E é isso que está sendo exposto e deixando a direita em polvorosa após as descobertas das coisas escabrosas que alimentavam a organização criminosa instalada na 13ª vara federal de Curitiba onde o juiz parcial Sérgio Moro se apresentou como paladino da justiça e agora vai, finalmente ser julgado pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal, STF, enfrentando, pasmem, o agora ministro Cristiano Zanin como relator do processo, que o conhece bem desde quando foi advogado do réu, hoje presidente da República, que foi vítima de Law fere praticado pelo hoje senador, que vai estar sentado no banco dos réus.
Os destaques daquele julgamento com cartas marcadas foram: 1) o juiz não lera os autos do processo e, 2) orientava os procuradores, mesmo eles dizendo que não tinham provas, que fizessem as denúncias que ele condenava.
O que está prestes a explodir no colo do ex-juiz e seus asseclas é a nova denúncia de uma testemunha bomba chamada Tony Garcia em paralelo com uma investigação aberta pelo ministro Flávio Dino para provar uma fraude de R$ 1 bilhão no governo Bolsonaro quando Sérgio Moro era o ministro da justiça.
Na esteira, há fortes suspeitas de que Moro sabia das fraudes no INSS e omitiu para preservar seu chefe Jair Messias Bolsonaro e, na somatória dos atos em que se julgava acima da lei, vai ter que prestar contas e provar a acusação feita em um convescote entre delinquentes, que o hoje decano da suprema corte, ministro Gilmar Mendes vendia Habeas Corpus.
O momento exige que se faça uma retrospectiva sobre a atuação do ex-juiz a partir do ano de 2013, coincidência ou não, o momento da chegada ao Brasil, da embaixadora dos EUA Eliana Ayalde, coincidindo com o começo das manifestações de junho e, deixando o cargo quando o Departamento de Estado do seu país avaliou que o Golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff estava consolidado.
A embaixadora veio para o Brasil, onde ficou 3 anos, após organizar os Golpes de Estado em Honduras e no Paraguai.
Bem antes disso o juiz Sérgio Moro já dava seus pulos em ambientes suspeitos e com amigos tortos, sendo o principal deles o doleiro Alberto Youssef.
Moro, filho de classe média com o pai diretor da faculdade onde ele se graduou em direito e, mesmo sem obter êxito no exame da OAB, foi aprovado no concurso de juiz federal Já tendo Alberto Youssef como amigo, um filho de imigrantes libaneses pobres que foi à luta na infância e adolescência e logo se destacou como doleiro e contrabandista e antes dos 30 anos já tinha uma casa de câmbio especializada em lavagem de dinheiro e fazia caixa 2 para políticos de direita do Paraná e Santa Catarina.
No governo FHC, através das contas CCC-5 foi figura ativa nas transferências de bilhões de dólares de recursos desviados nas privatizações tucanas, avaliados em R$ 500 bilhões, feitas na agência do Banestado do Paraná de Foz do Iguaçu cuja gerente financeira, segundo denúncias, era a esposa de um procurador amigo de Sérgio Moro. O Banestado foi comprado pelo Banco Itaú na década de 1990.
O chamado conluio entre o juiz e o doleiro começou em 2003, quando Youssef foi preso em transações com dólar e foi solto por Moro após fazer delações premiadas.
Em 2014, ano em que Sérgio Moro cruzou com a embaixadora Ayalde, Youssef foi flagrado em uma operação contra lavagem de dinheiro em um posto de gasolina de Curitiba, no setor de lava jato de veículos e a operação do flagrante foi batizada com esse nome, que virou operação permanente e no aprofundamento das investigações surgiu o nome de Paulo Roberto Costa como cliente do doleiro, e veio a frase mágica: “Eureka, temos como criar um escândalo para destruir a Petrobrás, o governo do PT e o próprio PT”.
Hoje podemos dizer que apesar de toda a desgraça causada ao povo brasileiro, o presidente Lula retomou as rédeas do país e o encontro de contas entre Sérgio Moro e a verdade está na ordem do dia e ele está ouvindo o zumbido do que disse Lula; tomara que o senhor um dia não passe pelo que eu estou passando.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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