Racismo estrutural

Uma advogada foi barrada ao entrar no fórum de Nossa Senhora do Socorro. Sem outra razão aparente para o comportamento dos seguranças, ela acredita ter sido vítima de racismo.
Independente do desfecho que venha a ter, o caso é exemplar do racismo entranhado na sociedade brasileira. Todos os dias, negros e negras têm direitos suprimidos em função da cor de sua pele.
Através de nota, o Tribunal de Justiça de Sergipe afirma que o Poder Judiciário sergipano repudia qualquer ato ou conduta que sugira ou configure o crime de injúria racial ou racismo, além de garantir uma apuração rigorosa dos fatos. Que assim seja. Mais importante do que punir eventuais culpados, no entanto, seria instaurar uma cultura de respeito aos direitos individuais dos cidadãos no ambiente notadamente elitista e excludente do poder judiciário.
Neste particular, há muito trabalho a ser feito. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão subordinado ao Ministério da Justiça, há pelo menos 811 mil presos nas cadeias brasileiras. Das 1.381 unidades prisionais, 997 têm mais de 100% da capacidade ocupada e outras 276 estão com ocupação superior a 200% (dados de 2021). Não custa repetir que a maioria dos custodiados amontoados de qualquer jeito são homens pobres e negros – grande parte de presos provisórios, trancafiados sem julgamento.

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