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Reprovação do ENEM


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Publicado em 16 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Certamente, as instituições que ainda preservam a modalidade de ingresso, pelo vestibular tradicional não se deparam com situações desse tamanho, o que comprova que o ENEM reclama revisão, se não para ser substituído, ao menos para ser aprimorado

* PAULINO FERNANDES DE LIMA

Embora nem toda seleção pública seja isenta de erros, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) continua sendo, disparado, o campeão de erros, os quais já reclamam conserto, há anos.
Na mais recente realização do certame, os problemas foram mais acentuados com relação à aplicação das provas (designação dos locais), como no vazamento de questões.
A fase de divulgação dos resultados não ficou por menos, apresentando problemas tanto em razão do atraso para tal, como na alocação dos candidatos para as vagas da primeira opção.
Esses desacertos trazem prejuízos também para o PROUNI, já que esse Programa acaba sendo uma forma de ingresso nas universidades, para os que não logram êxito no SISU.
Certamente, as instituições que ainda preservam a modalidade de ingresso, pelo vestibular tradicional não se deparam com situações desse tamanho, o que comprova que o ENEM reclama revisão, se não para ser substituído, ao menos para ser aprimorado.
Para o ano de 2024, foram ofertadas 264.181 vagas, para 6.827 cursos de graduação de 127 instituições.
Entretanto, quando se contabilizam esses erros, constata-se que o Exame não pode continuar sendo aplicado como vem sendo.
Para piorar a situação, neste último certame, foi batido o recorde de divulgação errada, principalmente em relação à nota da prova de Redação, com uma proliferação de candidatos apresentando notas máximas, as quais foram posteriormente retificadas, evidenciando outra falha que prejudica muitos que, de forma leal se encontravam no páreo.
Em parte, algumas escolas também têm seu quinhão de culpa, pois nunca se viu tanta propaganda enganosa estampada aos quatros cantos (desde outdoors espalhados pelas ruas às obcecadas postagens nas redes sociais).
Essa conduta, inclusive, já vem merecendo há tempos, a devida fiscalização do Poder público, porque não é possível que se propague que a escola X é campeã na aprovação do ENEM, ou que detém as primeiras colocações, sem que se diga, claramente, os dados das faladas aprovações.
Desde que o Vestibular tradicional foi relegado ao segundo plano, como forma de ingresso nas universidades, houve uma sentida perda de qualidade da seleção, que, indubitavelmente, traz consequências para o curso, uma vez que subtrai os critérios de aferição que sempre funcionaram e formaram tantos bacharéis e licenciados.
Um transtorno aqui e acolá faz parte de qualquer seleção, seja para ingresso em instituições de ensino ou para concursos públicos, mas quando se fala do ENEM, a desordem tem sido mais do que os limites de uma possível margem de erro.
Sem que os próprios organizadores consigam acertar o prumo, não há como assim exigir dos candidatos, portanto.

* Paulino Fernandes de Lima é defensor público e professor

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