Rian Santos
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André Moura, para quem seria uma humilhação subir em palanque ocupado pelo senador Alessandro Vieira, teve de dar o dito por não dito e posar para foto com o desafeto. Dos protestos, das bravatas proferidas por um e outro, restou apenas um enorme constrangimento.
A tal fotografia, um retrato em branco e preto, por assim dizer, em alusão à bela canção de Chico Buarque e Tom Jobim, revela, com a eloquência própria dos maiores poetas da MPB, o grande trunfo do governador Fabio Mitidieri, candidato à reeleição. Ali, a cerimônia de inauguração de uma obra inacabada, manda quem pode e obedece quem tem juízo.
Fala-se, claro, do complexo viário Maria do Carmo Alves. “Inaugurado” às pressas, a fim de contornar as exigências da Justiça eleitoral, o beija-mão reuniu gregos e troianos. Com a caneta em mãos, o governador joga aliados de todas as tendências e estirpes no mesmo balaio de gatos, trata a todos como qualquer um, sem fazer distinção de prestígio.
Ofendido, o ex-governador Belivaldo Chagas bateu em retirada e bandeou-se para a oposição. Aparentemente, no entanto, a inesperada demonstração de brio anda fora de uso. Em regra, todos baixam a cabeça à vontade do governador, cheios de mesuras, alguns ralam os joelhos.
O palanque do governador já não pode com tanto puxa saco. Para o eleitorado, fica a impressão de um arranjo pouco republicano, um vale tudo, a conciliação de interesses muito diversos, até antagônicos, completamente avessa ao interesse público.


