Retrospectiva 2021 – O que aconteceu com economia?

* Jussara Carvalho Batista Esteves
@planejarse77

Em 31 de dezembro de 2020 o Boletim Focus, previu para 2021 uma inflação de 3,32% – dentro da meta de 3,75%, crescimento de 3,40% do PIB (Produto Interno Bruto) – e a taxa Selic em míseros 3% ao ano. Um paraíso, se comparado aos números de hoje. E o que aconteceu com a economia em 2021?
Infelizmente nada disso aconteceu. Com novas variantes da Covid-19 apresentando mais de 618 mil vidas perdidas, o descontrole inflacionário e fiscal, fez cair todas perspectivas previstas para a economia brasileira em 2021. A inflação, especificamente, foi um dos principais fatores que atrasaram a retomada da economia. Para quem esperava uma inflação de 3,32%, conviver com alta de 10,74% nos preços não é nada fácil. Entre os itens que mais subiram estão os combustíveis, que acumulam 38,29% de variação no ano; a energia elétrica com alta de 30,27% no ano e o gás de cozinha, que já subiu 37,86% em 12 meses. Como 60% do PIB brasileiro é consumo das famílias, a alta nos preços reduziu a intenção de compras e retardou o crescimento da economia. A desvalorização cambial com aumento dos preços das commodities e a crise hídrica, foram fatores que fortaleceram o processo inflacionário este ano.
Para conter a inflação, o Banco Central elevou a taxa de juros Selic para 9,25% o maior patamar desde 2017. Os juros cresceram 7,25 pontos percentuais em 2021, avanço mais expressivo da série histórica. Os juros altos, inibem o consumo das famílias, diminuem o crescimento e consequentemente, elevam os números de desempregados no país que fecha em aproximadamente 13,5 milhões. O pior é que nem os juros altos, foram capazes de atrair capital estrangeiro. O atraso com as reformas administrativa e tributária, o descaso com o aumento do desmatamento na Amazônia, além de manobras para furar o teto de gastos,afugentaram o fluxo de capital e pesaram negativamente para o desempenho real da economia.
O Governo Federal retardou Auxílio Emergencial criado em 2020, para ajudar os trabalhadores afetados pela pandemia. Além disso, ele foi encerrado em outubro, deixando pelo menos 22 milhões de brasileiros vivendo sem o benefício. A saída de quem se viu sem essa renda, foi tentar o Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, em novembro deste ano. Mas por enquanto, o programa só está atendendo a quem já estava no Bolsa. Com o fim da ajuda emergencial, milhares de brasileiros estão tendo que se virar, sem emprego e sem dinheiro nem mesmo para colocar comida na mesa. Para entendermos melhor, no ano passado, o Auxílio Emergencial pagou 9 parcelas de abril a dezembro – 5 de R$ 600 e 4 de R$ 300, podendo chegar ao dobro para mães solteiras – para 66 milhões de pessoas. Já neste ano, os pagamentos foram retomados entre abril e outubro, porém, com valores menores – de R$ 150 a R$ 375 – e para um número bem menor: 39,4 milhões de brasileiros. Um dos motivos para essa queda de beneficiários é que, somente uma pessoa da família pôde receber o auxílio, ao contrário do ano passado, que poderiam ser até duas.
Essa crise econômica nunca vista no país, com juros altos, desemprego alto, renda em queda e taxa de câmbio subindo, afetou diretamente o orçamento familiar, diminuindo significativamente a capacidade de pagamento das famílias. O total de brasileiros endividados chegou a 74% da população em setembro, 1,1 ponto percentual (p.p.) acima do verificado em agosto, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na comparação com setembro de 2020, o nível de endividamento da população ficou 6,8 p.p. acima.
Então, para economia, 2021 infelizmente não foi um dos melhores anos e alguns economistas preveem que essa situação da economia tende a ainda permanecer até o primeiro semestre de 2022, entendendo que tanto a inflação quanto os juros, ainda permanecerão altos, o que exige das famílias cautela e mais atenção no orçamento familiar. Porém, é importante criar esperança de dias melhores para a economia e para o bem estar das famílias brasileiras. Sendo assim, um ótimo Ano Novo para todos.

* Jussara Carvalho Batista Esteves, economista. M. Sc. Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Pós-graduação em Desenvolvimento Econômico Regional (UFS). Educadora Financeira da @planejarse77.

Compartilhe esta notícia