Salve-se quem puder!

Uma variedade controversa de figura pública (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A confissão do delegado André David, para quem a única maneira de coibir o feminicídio desenfreado seria armando o mulherio nos quatro cantos de Sergipe, tem nome próprio, pai e mãe conhecidos.
Trata-se de incompetência, pura e simples, admitida publicamente. Cria bastarda da filiação ideológica, fruto de afeto escandaloso, um caso tórrido com o proselitismo reaça da extrema direita local, a declaração infeliz de André David é perfeitamente coerente com a sua rápida ascensão política.
O contexto importa. Delegado da Polícia Civil de Sergipe, André David ganhou notoriedade no corpo a corpo com a bandidagem franzina do Centro de Aracaju. A disposição para enquadrar marginais de pés descalços lhe serviu de pretexto para mostrar a cara em noticiários policiais sensacionalistas. Da televisão para as redes sociais foi um pulo. E o meganha logo foi alçado a uma variedade francamente controversa de figura pública.
Assim, André David se candidatou ao cargo de deputado federal por Sergipe, em 2022, conquistando a primeira suplência, com 31 mil votos. Com a eleição da prefeita Emília Corrêa, há pouco mais de um ano, ele assumiu a Secretaria de Segurança e Cidadania de Aracaju.
Infelizmente, o projeto político de André David ganha tração atrelado às simplificações do senso comum. Os problemas sob a sua alçada, nos quais ele é chamado a intervir, entretanto, são sempre muito complexos, não respondem a bravatas, nem se resolvem com a trova impulsiva de qualquer chavão.
André David propõe abandonar as sergipanas à própria sorte, com um trabuco nas mãos. Segundo ele, só a Lei de Talião pode dar um basta no assassínio desenfreado de mulheres. Olho por olho, dente por dente. O poder público, infere-se, não tem nada com o assunto.
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