Rian Santos
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Foi-se junho, com seus palcos. O poder público local celebra agora o sucesso dos grandes eventos do ciclo junino, fiado em um público numeroso, com feições de multidão.
A litania de um povo dissolvido em plateia não me convence, entretanto. Sim, o Forró Caju atraiu milhares de pessoas, no Centro e nas beiras da cidade. O Arraiá do Povo, na orla de Atalaia, idem.
Os aplausos dos forrozeiros virados em tiete, contudo, ferem de morte o próprio forró.
Minhas palavras soam revanchistas, talvez. Mas a programação dos eventos supracitados fala por si mesma. Cada concessão realizada pelos promotores da festa – refiro-me não apenas ao forró de plástico, mas especialmente ao arrocha e aos louvores da indústria gospel – tem a mesma força de uma punhalada, um golpe.
Neste particular, aliás, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e o governador de Sergipe, Fabio Mitidieri, dois adversários políticos, estão colados. Para eles, a preservação dos valores mais caros ao cancioneiro nordestino e à tradição junina, reivindicada aqui com todas as letras, não passa de frescura beletrista.
Em tal peleja, confesso, entro ciente de sair derrotado. Mas, contra a sofrência sem sentimento de uns e outros, a sanfona do velho lua chora a minha dor.


