Santidade para o nosso tempo

 

* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
 
Desde 11/04/2017 venho "respondendo" por esta coluna de opinião aqui no ‘Jornal do Dia’ nas edições das terças-feiras, após a "partida" de meu pai – o ‘Memorialista Raymundo Mello’ – que, com notável dedicação, manteve a escrita desde o 1.º ano de funcionamento do jornal, por gentileza de sua direção e sua editoria geral, que, nos últimos cinco anos de sua vida, tornaram semanal a publicação.
Os temas dos artigos foram sempre as suas memórias. Algumas, tenho republicado, vezes pela oportunidade do assunto, vezes atendendo aos pedidos que me trazem os seus leitores contumazes. Quando não, vou escrevendo os textos, num estilo um tanto diferente do dele, versando mais sobre temas da atualidade, em conformidade com as minhas áreas de conhecimento.
E como não sou propriamente um memorialista, como ele, sinto a necessidade de "remodelar" o estilo do artigo. Assim, no começo deste ano pensei em novos "caminhos" para a coluna, dando-lhe "feições" diferentes em cada uma das semanas do mês.
Neste contexto, um dos objetivos que defini, e o começo a realizar hoje, é partilhar – vez por outra – com os caros leitores que nos acompanham há tantos anos, textos que, tendo lido, achar válido divulgar, numa época em que as pessoas, de modo quase geral, estão "perdendo" o interesse pelo saudável hábito da leitura.
Assim, o nosso "convidado" de hoje é Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém-PA, que nos apresenta uma reflexão sobre a "Santidade para o nosso tempo". Este é o assunto do texto, cujo objetivo é incentivar as pessoas à leitura da Exortação Apostólica do Papa Francisco "Gaudete et Exsultate" (GE). Quem gostar da ideia e desejar aprofundar-se na instrução que o Papa nos oferece, poderá adquirir um exemplar da Exortação nas livrarias católicas da cidade. É possível, também, obter uma cópia do texto no site da Santa Sé (w2.vatican.va).
Vejamos o que nos escreve Dom Alberto:
– Num tempo em que se espalha um nivelamento "por baixo" na prática da virtude, com relaxamento na busca de valores autênticos, o Papa propõe nada menos do que a santidade, que São João Paulo II chamou de medida alta da vida cristã. Sabemos que existe um "outro lado da medalha", pois, justamente em nosso tempo, surgem pessoas e grupos desejosos de uma vida segundo o Evangelho. São incontáveis os jovens, para citá-los em tempo de tanto relevo à sua participação na Igreja e na sociedade, que desejam buscar as coisas "do alto" (cf. Cl 3,1-4).
O Papa abre sua Exortação Apostólica com palavras muito fortes: "’Alegrai-vos e exultai’ (Mt 5,12), diz Jesus a quantos são perseguidos ou humilhados por causa d’Ele. O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. Com efeito, o chamado à santidade está patente, de várias maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia. A Abraão o Senhor propô-la nestes termos: ‘anda na minha presença e sê perfeito’" (Gn 17,1).
O Santo Padre alarga o convite à santidade: "Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é, muitas vezes, a santidade ‘ao pé da porta’, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da ‘classe média da santidade’" (GE, 7).
O Papa inicia, então, uma reflexão muito profunda. A linguagem é quase coloquial, conversando com os leitores. Começa com o chamado à santidade, dirigido a todos, recordando os santos que nos acompanham com seu exemplo e oração, para envolver os destinatários da Exortação. Mais adiante, chega a um convite direto: "Também tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma missão. Tenta fazê-lo, escutando Deus na oração e identificando os sinais que ele te dá. Pede sempre ao Espírito Santo o que espera Jesus de ti em cada momento da tua vida e em cada opção que tenhas de tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua missão. E permite-lhe plasmar em ti aquele mistério pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje" (GE, 23). Papa Francisco alerta para a presença de desvios doutrinais antigos, que se fazem de novo presentes e abre um grande horizonte para a compreensão das bem-aventuranças, retomando, após cada uma delas, um refrão: "Isto é Santidade".
Recomendo a leitura!
* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

* Raymundo Mello

(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)

Desde 11/04/2017 venho "respondendo" por esta coluna de opinião aqui no ‘Jornal do Dia’ nas edições das terças-feiras, após a "partida" de meu pai – o ‘Memorialista Raymundo Mello’ – que, com notável dedicação, manteve a escrita desde o 1.º ano de funcionamento do jornal, por gentileza de sua direção e sua editoria geral, que, nos últimos cinco anos de sua vida, tornaram semanal a publicação.
Os temas dos artigos foram sempre as suas memórias. Algumas, tenho republicado, vezes pela oportunidade do assunto, vezes atendendo aos pedidos que me trazem os seus leitores contumazes. Quando não, vou escrevendo os textos, num estilo um tanto diferente do dele, versando mais sobre temas da atualidade, em conformidade com as minhas áreas de conhecimento.
E como não sou propriamente um memorialista, como ele, sinto a necessidade de "remodelar" o estilo do artigo. Assim, no começo deste ano pensei em novos "caminhos" para a coluna, dando-lhe "feições" diferentes em cada uma das semanas do mês.
Neste contexto, um dos objetivos que defini, e o começo a realizar hoje, é partilhar – vez por outra – com os caros leitores que nos acompanham há tantos anos, textos que, tendo lido, achar válido divulgar, numa época em que as pessoas, de modo quase geral, estão "perdendo" o interesse pelo saudável hábito da leitura.
Assim, o nosso "convidado" de hoje é Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém-PA, que nos apresenta uma reflexão sobre a "Santidade para o nosso tempo". Este é o assunto do texto, cujo objetivo é incentivar as pessoas à leitura da Exortação Apostólica do Papa Francisco "Gaudete et Exsultate" (GE). Quem gostar da ideia e desejar aprofundar-se na instrução que o Papa nos oferece, poderá adquirir um exemplar da Exortação nas livrarias católicas da cidade. É possível, também, obter uma cópia do texto no site da Santa Sé (w2.vatican.va).
Vejamos o que nos escreve Dom Alberto:
– Num tempo em que se espalha um nivelamento "por baixo" na prática da virtude, com relaxamento na busca de valores autênticos, o Papa propõe nada menos do que a santidade, que São João Paulo II chamou de medida alta da vida cristã. Sabemos que existe um "outro lado da medalha", pois, justamente em nosso tempo, surgem pessoas e grupos desejosos de uma vida segundo o Evangelho. São incontáveis os jovens, para citá-los em tempo de tanto relevo à sua participação na Igreja e na sociedade, que desejam buscar as coisas "do alto" (cf. Cl 3,1-4).
O Papa abre sua Exortação Apostólica com palavras muito fortes: "’Alegrai-vos e exultai’ (Mt 5,12), diz Jesus a quantos são perseguidos ou humilhados por causa d’Ele. O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. Com efeito, o chamado à santidade está patente, de várias maneiras, desde as primeiras páginas da Bíblia. A Abraão o Senhor propô-la nestes termos: ‘anda na minha presença e sê perfeito’" (Gn 17,1).
O Santo Padre alarga o convite à santidade: "Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é, muitas vezes, a santidade ‘ao pé da porta’, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da ‘classe média da santidade’" (GE, 7).
O Papa inicia, então, uma reflexão muito profunda. A linguagem é quase coloquial, conversando com os leitores. Começa com o chamado à santidade, dirigido a todos, recordando os santos que nos acompanham com seu exemplo e oração, para envolver os destinatários da Exortação. Mais adiante, chega a um convite direto: "Também tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma missão. Tenta fazê-lo, escutando Deus na oração e identificando os sinais que ele te dá. Pede sempre ao Espírito Santo o que espera Jesus de ti em cada momento da tua vida e em cada opção que tenhas de tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua missão. E permite-lhe plasmar em ti aquele mistério pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje" (GE, 23). Papa Francisco alerta para a presença de desvios doutrinais antigos, que se fazem de novo presentes e abre um grande horizonte para a compreensão das bem-aventuranças, retomando, após cada uma delas, um refrão: "Isto é Santidade".
Recomendo a leitura!

* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br

 

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