Sergipe, um camarote

Sem estardalhaço (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Não engulo o Pré-Caju. Duvido muito das contas jamais apresentadas para justificar os rios de dinheiro público que desaguam na festa de Fabiano Oliveira. Admito, no entanto, a controvérsia. Aos pés dos camarotes, muita gente boa rala a bunda no asfalto em troca de alguns tostões furados. Inaceitável, isso sim, é alegar que os tambores nativos ecoam na avenida, como faz a Fundação Aperipê, na pessoa de Gustavo Paixão. Trata-se de mentira cabeluda, descarada.
Sob o propósito de celebrar “a cultura sergipana em suas diversas expressões”, a Pipoca do Pré-Caju bancada pelo governo de Sergipe levará Durval Lélys para a avenida, a fim de animar o populacho.
A contradição é flagrante. Sob Mitidieri, os mercadores da Cultura perderam qualquer resquício de vergonha na cara.
Os fatos falam por si mesmos: Anos atrás, a presença de Deivinho Novaes no palco do Forró Caju provocou um debate acalorado, em defesa do verdadeiro forró. Agora, em pleno Arraiá do Povo, o governo do Estado promove as Terças do Arrocha, sem estardalhaço, com a cumplicidade silenciosa de toda a inteligência progressista.
Não por acaso, Fabiano Oliveira foi agraciado com a Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur), após ter o nome rejeitado pelos eleitores de Aracaju, candidato derrotado na chapa encabeçada por Luiz Roberto Dantas. Para o governo de turno, a confusão entre as esferas pública e privada foi adotada como modus operandi. Assim, nada mais natural do que juntar a fome e a vontade de comer. Para divulgar o destino Sergipe, vende-se o Pré-Caju no Sul Maravilha.
Neste particular, nunca estivemos tão pobres. Durval Lélys, Timbalada, Natanzinho Lima, as atrações da Pipoca do Pré-Caju, todo mundo sabe, agradam o gosto duvidoso do governador. E, para o Homem Abadá, Sergipe inteiro é uma extensão de seu concorrido camarote.
Compartilhe esta notícia