Tarde demais

Ainda presidente, Jair Bolsonaro demorou dois dias inteiros, contados a partir da derrota eleitoral sacramentada no último domingo, para se dirigir à nação. Em um discurso breve, quase lacônico, contando apenas dois minutos, agradeceu aos próprios eleitores e posou de injustiçado. Isolado, no entanto, deu garantias tardias de obedecer à Constituição.
Fala-se aqui em “garantias tardias” porque um movimento golpista, insuflado pelo silêncio de Bolsonaro, candidato derrotado, provoca caos e desordem nas estradas do País. Os golpistas não aceitam a vontade soberana do povo brasileiro, proclamada nas urnas. A exemplo do presidente, eles também não sabem perder.
O levante golpista do bolsonarismo era esperado. Insinuações de tal natureza plantaram a idéia do retrocesso nos corações e mentes mais suscetíveis aos arroubos autoritários do presidente. Bolsonaro sempre exaltou torturadores. E governou apenas para os seus apoiadores, alheio à enorme diversidade que caracteriza o povo brasileiro, a maior riqueza do Brasil. Assim, nada mais natural que a derrota fosse mal digerida. E que os alucinados pulassem o muro do hospício.
Bolsonaro perdeu, entretanto. E as instituições brasileiras estão firmes e fortes, atentas à ameaça do golpismo bolsonarista. Os ritos da Democracia serão cumpridos, a despeito de sua colaboração com o processo de transição a ser instaurado nos próximos dias. Personagem assim pequeno como Bolsonaro, incapaz de reconhecer a derrota com o mínimo de compostura, convenhamos, não fará falta alguma.

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