TEM QUEM NÃO GOSTE, MAS É PROBLEMA DE CADA UM

* Rõmulo Rodrigues

Às vezes fico a pensar que o jornalismo da província é um repeteco do pobre de direita, que se revolta quando se culpa a elite dos crimes corriqueiros e ele pensa que é com ele e toma as dores.
Os mesmos que posam de puros e éticos contra atacam com rispidez quando um plebeu trás à tona que as revista Veja e Isto É, a Folha de S. Paulo, O Estadão e a Rede Globo fazem um paredão contra os avanços populares e conspiram contra a democracia; são provincianos e se acham incluídos na elite do atraso.
Por serem assim, vão dizer que as opiniões são cheias de ranço e fora de moda. Não são; se fossem, teriam que destacar o que acontece de muito perigoso no mundo real e noticiariam que em Sapiranga (RS) a seccional da OAB está condenando e denunciando uma lista que circula na região incluindo as cidades de Nova Hartz e Árica intimando os seguidores da horda que prega Deus, Pátria, Família, Liberdade a não comprarem nada em estabelecimentos que eles identificam os proprietários como eleitores de Lula e reforçam o boicote a profissionais como Advogados identificados como petistas, repetindo as mesmas práticas dos nazistas contra os judeus em 1933, na Alemanha, que resultaram na morte de mais de 6 milhões de pessoas.
A grande mídia está engolindo o sucesso de Lula porque não tem como partir para o ataque direto. Mas, nas entrelinhas, vai reconstruindo seu discurso ideologizado para desferir os ataques quando as condições forem propícias.
No momento todas as narrativas vão na direção de questionar de onde Lula vai tirar o dinheiro para pagar o aumento real do salário mínimo e o auxilio emergencial de R$ 600,00 mensais para algo como 33 milhões de pessoas que o governo Bolsonaro, colocado por ela, deixou de herança maldita; e aumento real de 1,3% no salário mínimo.
Vamos pelo mais fácil; o governo como ente federativo basicamente só paga salário mínimo a aposentados da previdência social que tem arrecadação própria.
Quanto ao auxílio, não vai pagar todo de uma vez e sim em 12 parcelas a partir do vencimento do 1º mês. Portanto, se fosse pagar todo de uma vez, desembolsaria R$ 237,6 bilhões que é equivalente a 62,8% do que foi deixado pelos governos do PT como fundo de reserva internacional.
O que o jornalismo poderoso defensor do grande capital do império não diz, por interesse próprio, e o da província se inibe de dizer por sonhar em um dia chegar lá; é que até agora já foi detectado um rombo de R$ 400 bilhões do desastre governamental e todos continuam com as narrativas que enganam a opinião pública.
Enquanto impera essa lei da distorção dos fatos reais que só favorece aos inimigos declarados da democracia, uma boa investigação que se faz necessária é saber quem financia a onda de terror que se espalha por todo o País.
Dando andamento ao que aconteceu em Sapiranga e região, foi decretado toque de recolher na cidade de Casca, no Noroeste do agro pop gaúcho e a advogada Janaina Ramos teve a coragem de denunciar e o povo da notícia sequer repercutiu.
Lá em Novo Progresso no Pará, os terroristas que defendem ditadura militar atiraram e feriram um agente da PRF e uma criança foi intoxicada com gás e nada virou notícia; nem mesmo o alerta de procuradores federais de que toda a movimentação pode estar sendo financiada por empresários e uma grande organização criminosa está por trás de tudo.
Passados 9 dias da derrota nas urnas Bolsonaro publica enigmática foto sem legenda ou identificação, da convenção do PL em 24 de junho passado, quando exortou o povo e militares a dar o golpe em 7 de setembro em nome do ideário nazista Deus, Pátria, Família, Liberdade, chamando os ministro de STF de homens das capas pretas.
Em consonância com a publicação dele, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, trombeteia que depende do relatório que será apresentado pelo ministro da defesa para reconhecer, ou não, a legitimidade das urnas.
A tudo, a velha mídia faz ouvidos de mercador e gasta seu tempo e a paciência do povo com suas narrativas sobre a transição. Tudo, sem capa da revista Veja, editoriais da Folha e do Estadão e nem helicópteros da Globo sobrevoando o Palácio do Planalto e chamando as massas cheirosas para as ruas.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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