“Rian Santos
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Ser mulher não é fácil. A conquista decantada num aforismo cunhado por Simone de Beauvoir custa sangue, suor e lágrimas. As manchetes dos jornais locais, a recorrência de feminicídios cometidos em Sergipe, aliás, não deixa margem para dúvidas.
Esta semana, uma idosa de 64 anos foi morta a facadas no Conjunto Maria do Carmo, localizado no município de Propriá. O crime ocorreu na segunda-feira, 22. O suspeito é o companheiro da vítima, preso em flagrante, roteiro previsível. Um dia sim, outro também, elas são mortas no calor da bala, na ponta da faca, a golpes de pedra e pau.
Sim, mulher sofre. O mais engajado entre os Beatles já aconselhou uma reflexão profunda sobre a condição feminina. “Woman is the nigger of the world” (“A mulher é o negro do mundo”), John Lennon resumiu. “Think about it”. (“Pense a respeito”).
Sim, tenho pensado no assunto. Tenho um filho. Não o concebi para ele viver com medo, como ocorre às mulheres, escravas entre escravos, segundo a canção. Além disso, tenho também uma menina.
Para gozar a vida como achar melhor, alma liberta, livre, leve e solto – ou solta, minhas crias, carne de minha carne, hão de viver em um mundo mais justo, plenamente. E de ser feliz.

