Todos os dentes

Sem vírgulas (Divulgação)
Rian Santos (riansantos@jornaldodiase.com.br)
Não sou de reparar no sorriso dos colegas.
Certamente não há, entre os jornalistas da província, contudo, profissional sob risco de perder os dentes em função do ofício, como ocorreu ao colunista de O Globo, Lauro Jardim.
O inquérito do Banco Master mirou num banqueiro com pendor para a contabilidade criativa e acertou num mafioso. O modus operandi do tal Vorcaro é o mesmo de todo bicheiro. Assim, ele não tinha o menor apreço pelo trabalho da imprensa.
Aqui, no entanto, importa nos atermos a nossos próprios problemas. A cordialidade da imprensa sergipana com os poderosos de turno já virou anedota. Segundo se conta, um conhecido mandachuva da política local não precisava abrir a mão para manter jornalistas no bolso. A consciência destes, na larga experiência do grandão, custaria apenas algumas doses de cachaça.
Também por isso é que a reeleição do governador Fábio Mitidieri dava a falsa impressão de estar garantida. Embora trate a imprensa, enquanto instituição, aos pontapés, o governador raramente é questionado a respeito das contradições e faltas de sua gestão. Mais das vezes, a cobertura da administração estadual reproduz o enviesado discurso oficial, sem acréscimos de qualquer vírgula.
Festas manjadas, caravanas eleitoreiras, assistencialismo rarefeito, personalismo descarado e a diluição dos limites entre as esferas pública e privada, patente na nomeação de tantos parentes, nada disso desperta a curiosidade do jornalismo mais servil.
O sorriso largo dos meninos de recado do governador, aliás, fala alto, muito alto, até grita. Mas serve apenas a si mesmo.
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