Torneiras em vão

O novo normal (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A pilha de louça suja na pia da cozinha não me deixa esquecer: Enquanto os sergipanos abrem as torneiras em vão, movidos pela ingrata esperança de derramar um fiapo de água, a bem da própria higiene, o governador Fabio Mitidieri dança forró na França.
A crise hídrica alardeada pelos cúmplices do poder não passa de mentira descarada. Chove a cântaros, em todo o estado. Mas a precarização de serviços básicos nega o básico aos sergipanos.
A crise é de gestão. A privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) rendeu bilhões ao governo de Sergipe. Mesmo assim, a adutora do São Francisco desmorona sem manutenção adequada.
Segundo o jornalista Adiberto de Souza, o rompimento de tubulações naquele reservatório é recorrente. Prova disso, três episódios teriam ocorrido ao longo dos últimos 30 dias.
“O primeiro incidente deixou cerca de 279 mil imóveis sem água por dois dias em Aracaju, Socorro e Barra dos Coqueiros. Agora foi mais grave: desde a última sexta-feira, equipes da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) tentam consertar a tubulação”, lembrou o jornalista, em coluna publicada ontem.
Não é normal o que vem ocorrendo cá na aldeia. No início do ano, recém-empossada prefeita de Aracaju, Emília Corrêa cancelou contrato com a empresa responsável pela coleta de lixo sem medir consequências, largando a capital do estado à fedentina da própria sorte. Agora, toda a grande Aracaju passa sem água por dias a fio, logo após Mitidieri torrar a Deso nos cobres.
Escrevo estas linhas mal traçadas numa segunda-feira normal, igual a todas as outras. A prefeita de Aracaju passeia de carro blindado e o governador de Sergipe cumpre animada agenda na Europa. Eu batuco desaforos numa máquina de escrever enquanto espero a promessa de água finalmente se cumprir, a fim de lavar a louça.
Compartilhe esta notícia