Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
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Todo artista tem de ir aonde o povo está… O imperativo alardeado na voz imensa de Milton Nascimento é ponto pacífico em todo o mundo. O mundo inteiro, menos Sergipe.
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Recebo convite para a abertura da mostra Opostos Complementares, dos artistas visuais Davi Cavalcante e Maria Stefane. Trata-se de uma reunião de fotografias, esculturas e até uma instalação a serem espremidas no Corredor Cultural Irmão, um arremedo de galeria improvisado na sede da Funcap.
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Eu me pergunto qual o proveito de expor num corredor apertado, uma repartição com acesso mediado por cancela, para meia dúzia de servidores mal pagos e desinteressados. Penso e não atino com resposta.
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Todos os artistas visuais em atividade na aldeia já passaram por lá, no entanto. Mais das vezes, a única recompensa pelo trabalho emprestado ao espaço é um certificado atestando a colaboração com o poder de turno. Mais nada.
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Fala-se aqui de jovens aspirantes a artistas, ansiosos para serem admitidos nas rodas cansadas da inteligência local, ainda sem o traquejo necessário para impor a própria assinatura, mas também de profissionais reconhecidos, com nome e sobrenome estampado nas colunas sociais. A falta de vergonha é generalizada.
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Curioso notar, a capital sergipana é relativamente bem servida em matéria de espaços voltados para as artes visuais, públicos e privados. Ainda assim, por razões que desafiam o entendimento, os gestores da sensibilidade pouco os exploram, conformados com a claustro dos equipamentos burocráticos. E ainda enchem a boca com uma tal sergipanidade.
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Cá para nós, digo e repito, o cantor Irmão, um dos poucos a se aventurar pelo Lado B da cidade, merecia homenagem melhor.
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Abertura de Opostos e Complementares:
Segunda-feira, 11, às 10 horas, na sede da Funcap.


