Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ninguém deveria sair
da escola antes de
conhecer ‘Os sertões’ e enxergar as próprias feições na obra prima de Euclides da Cunha. Mas em lugar de bibliotecas poucas e defasadas, realidade iletrada de boa parte dos municípios tupiniquins, os livros são objetos estranhos ao comum das gentes.
Ontem, o vento morno gerado no fim do mundo soprou a notícia velha de as bibliotecas correrem perigo. Ninguém lembrava de Rondônia, poucos se atreveriam a apontar a sua localização em um mapa. Foi lá, no entanto, onde o governador Marcos Rocha, aliado do presidente, fez circular uma lista de autores nocivos à formação dos estudantes. Os professores deveriam recolher os livros de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Nelson Rodrigues, Mario de Andrade, e outros de igual quilate.
Pouco importa se o coronel deu um tiro no pé e teve de voltar atrás, trocar o dito por não dito, protestar a divulgação de Fake News. Autores mortos e enterrados ainda tiram o seu sono. Para todos os efeitos, o episódio prova, o obscurantismo é a pedra de toque do "pensamento" hegemônico no Brasil de Bolsonaro.
A situação chegou a ponto de despertar a Academia Brasileira de Letras, deitada em berço esplêndido. Em nota oficial, a instituição manifestou publicamente o seu repúdio à censura que atinge, uma vez mais, a literatura e as artes.
"Trata-se de gesto deplorável, que desrespeita a Constituição de 1988, ignora a autonomia da obra de arte e a liberdade de expressão. A ABL não admite o ódio à cultura, o preconceito, o autoritarismo e a autossuficiência que embasam a censura".
A ABL continua: "É um despautério imaginar, em pleno século XXI, a retomada de um índice de livros proibidos. Esse descenso cultural traduz não apenas um anacronismo primário, mas um sintoma de não pequena gravidade, diante da qual não faltará a ação consciente da cidadania e das autoridades constituídas".
Eu, por óbvio, assino embaixo. Convém lembrar, entretanto, que não bastam as bibliotecas e os livros. É preciso que se diga: O brasileiro médio não lê nada, nem bula de remédio.
Rian Santos
Ninguém deveria sair da escola antes de conhecer ‘Os sertões’ e enxergar as próprias feições na obra prima de Euclides da Cunha. Mas em lugar de bibliotecas poucas e defasadas, realidade iletrada de boa parte dos municípios tupiniquins, os livros são objetos estranhos ao comum das gentes.
Ontem, o vento morno gerado no fim do mundo soprou a notícia velha de as bibliotecas correrem perigo. Ninguém lembrava de Rondônia, poucos se atreveriam a apontar a sua localização em um mapa. Foi lá, no entanto, onde o governador Marcos Rocha, aliado do presidente, fez circular uma lista de autores nocivos à formação dos estudantes. Os professores deveriam recolher os livros de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Nelson Rodrigues, Mario de Andrade, e outros de igual quilate.
Pouco importa se o coronel deu um tiro no pé e teve de voltar atrás, trocar o dito por não dito, protestar a divulgação de Fake News. Autores mortos e enterrados ainda tiram o seu sono. Para todos os efeitos, o episódio prova, o obscurantismo é a pedra de toque do "pensamento" hegemônico no Brasil de Bolsonaro.
A situação chegou a ponto de despertar a Academia Brasileira de Letras, deitada em berço esplêndido. Em nota oficial, a instituição manifestou publicamente o seu repúdio à censura que atinge, uma vez mais, a literatura e as artes.
"Trata-se de gesto deplorável, que desrespeita a Constituição de 1988, ignora a autonomia da obra de arte e a liberdade de expressão. A ABL não admite o ódio à cultura, o preconceito, o autoritarismo e a autossuficiência que embasam a censura".
A ABL continua: "É um despautério imaginar, em pleno século XXI, a retomada de um índice de livros proibidos. Esse descenso cultural traduz não apenas um anacronismo primário, mas um sintoma de não pequena gravidade, diante da qual não faltará a ação consciente da cidadania e das autoridades constituídas".
Eu, por óbvio, assino embaixo. Convém lembrar, entretanto, que não bastam as bibliotecas e os livros. É preciso que se diga: O brasileiro médio não lê nada, nem bula de remédio.