Um secretário especial

A Secretaria Especial de Cultura foi criada só para ele (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O governador Fabio Mitidieri poderia colocar Valadares Filho à prova. Para tanto, bastaria circular com o distinto secretário especial de Cultura pelos ambientes mais caros à gestação da sensibilidade nativa.
Herdeiro querido de uma verdadeira raposa política, justamente o homem a quem deve nome, sobrenome, cargos e mandatos, Valadares Filho não precisou tomar parte nos embates travados a sopapos de ritmo e toques de tambor para posar de autoridade no assunto. A Secretaria Especial de Cultura foi criada só para ele.
Vasculho a internet, visito o perfil de Valadares Filho nas redes sociais, na esperança vã de surpreender o secretário especial de Cultura em diálogo franco com algum artista de mãos calejadas. Encontro, ao contrário, discursos opacos, as cerimônias, os rapapés da mediocridade burocrática.
Secretário de governo para todos os efeitos, Valadares Filho talvez seja mesmo o representante ideal de Fabio Mitidieri em matéria de Cultura. Ao mencionar o saudoso Luiz Antônio Barreto, sob pretexto da solenidade que batizou o Centro Cultural de Aracaju com o nome do pesquisador, por exemplo, o rebento sem futuro do velho Valadares lançou mão de todos os chavões mais surrados.
“O Folclore (e, por extensão, a Cultura) não pode continuar sendo a luz velha das estrelas e das constelações, no lençol de um céu que sempre achamos novo, todas as noites”, defendeu Luiz Antônio Barreto, atento à centelha acesa das ideias vivas. Mas Valadares Filho sabe somente de formalidades. Para secretário especial de Mitidieri, está bom demais.
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