Segunda, 29 De Novembro De 2021
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Uma questão de batismo


Publicado em 14 de outubro de 2021
Por Jornal Do Dia


Pendor para o barulho

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Enquanto as Academi
as de Letras são fun
dadas a torto e direito, alheias ao pulso agoniado do tempo, a poesia encontra guarita na boca de uma geração em tudo avessa às cerimônias e rapapés cultivados na província. Perguntem a Pedro Bomba. Amiga de todo tipo de gente, a poesia agora corre trecho e perigo, pra cima e pra baixo, mãos dadas com a meninada da cidade. A poesia fugiu dos salões, morta de tédio, nunca mais ninguém a surpreendeu em bocejos de bela adormecida.
Pedro Bomba roubou a minha atenção ao divulgar ‘Última cassete’ (2018). Trata-se de um link ancorado na plataforma Soundcloud, uma compilação em áudio de poemas, então, mais ou menos recentes. Ali, em sete faixas gravadas de maneira rudimentar, com a cara e a coragem, a inflexão própria de toda a urgência.
Embora já tenha dois livros publicados, como convém a todo autor digno da alcunha, é por meio da internet, nos botecos e ajuntamentos criativos, que o poeta se afirma com mais propriedade, de corpo presente. As performances de Pedro Bomba remetem a um modo de fazer poesia e "estar no mundo" cuja origem, enquanto fenômeno de visibilidade, ganhou feição e sotaque local com as reuniões promovidas pelo Sarau Debaixo, sob o viaduto do Distrito Industrial de Aracaju. Desde então, ocupações semelhantes são promovidas em todos os cantos, silêncio na cidade não se escuta.
Pedro Bomba investe nas plataformas de streaming para mandar o seu recado com a naturalidade de quem aplaca a sede com um copo d’água. O single ‘Se alguém ergue a mão e acena’ (2017), além dos EP’s ‘A troco de nada e de ninguém’ (2016) e ‘Amor coragem’ (2015), no entanto, embalavam a poesia com os laços e artifícios da produção musical – proposta amadurecida em registro da banda Madame Javali. Agora, com a publicação de ‘Areia para engrenagens’ (2021), ao contrário, o verbo é o único cajado do poeta, a palavra sustenta a ladainha sozinha.
Folheio as páginas do volume subtraído ao acervo da 1A Gallery feliz de confirmar uma impressão já antiga a respeito dos barbudos que estão aí, mandando brasa, no rastro de Paulo Leminski. Há os livros conservados nas estantes e há, também, a experiência vivida na pele. Pedro Bomba, no entanto, berra, escreve, publica, sempre com renovado pendor para o barulho.

Rian Santos

Enquanto as Academi as de Letras são fun dadas a torto e direito, alheias ao pulso agoniado do tempo, a poesia encontra guarita na boca de uma geração em tudo avessa às cerimônias e rapapés cultivados na província. Perguntem a Pedro Bomba. Amiga de todo tipo de gente, a poesia agora corre trecho e perigo, pra cima e pra baixo, mãos dadas com a meninada da cidade. A poesia fugiu dos salões, morta de tédio, nunca mais ninguém a surpreendeu em bocejos de bela adormecida.
Pedro Bomba roubou a minha atenção ao divulgar ‘Última cassete’ (2018). Trata-se de um link ancorado na plataforma Soundcloud, uma compilação em áudio de poemas, então, mais ou menos recentes. Ali, em sete faixas gravadas de maneira rudimentar, com a cara e a coragem, a inflexão própria de toda a urgência.
Embora já tenha dois livros publicados, como convém a todo autor digno da alcunha, é por meio da internet, nos botecos e ajuntamentos criativos, que o poeta se afirma com mais propriedade, de corpo presente. As performances de Pedro Bomba remetem a um modo de fazer poesia e "estar no mundo" cuja origem, enquanto fenômeno de visibilidade, ganhou feição e sotaque local com as reuniões promovidas pelo Sarau Debaixo, sob o viaduto do Distrito Industrial de Aracaju. Desde então, ocupações semelhantes são promovidas em todos os cantos, silêncio na cidade não se escuta.
Pedro Bomba investe nas plataformas de streaming para mandar o seu recado com a naturalidade de quem aplaca a sede com um copo d’água. O single ‘Se alguém ergue a mão e acena’ (2017), além dos EP’s ‘A troco de nada e de ninguém’ (2016) e ‘Amor coragem’ (2015), no entanto, embalavam a poesia com os laços e artifícios da produção musical – proposta amadurecida em registro da banda Madame Javali. Agora, com a publicação de ‘Areia para engrenagens’ (2021), ao contrário, o verbo é o único cajado do poeta, a palavra sustenta a ladainha sozinha.
Folheio as páginas do volume subtraído ao acervo da 1A Gallery feliz de confirmar uma impressão já antiga a respeito dos barbudos que estão aí, mandando brasa, no rastro de Paulo Leminski. Há os livros conservados nas estantes e há, também, a experiência vivida na pele. Pedro Bomba, no entanto, berra, escreve, publica, sempre com renovado pendor para o barulho.

 

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