Uma Suzane inesperada

Do telejornal para as urnas (Divulgação)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A jornalista Suzane Vidal pulou o balcão, a fim de pedir votos com toda a liberdade do mundo, de olho no bem bom da Câmara Federal, em Brasília. Vale-se, para tanto, dos 30 anos de convivência diária com a plebe rude cativa da televisão – uma convivência mediada pelas câmeras da TV Sergipe.
“Você me conhece”, ela afirma em tom amigável, ao anunciar o próprio projeto eleitoral, por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais. Em verdade, no entanto, não há afirmação mais temerária. O coração de um outro é terra onde ninguém pisa.
“O inferno são os outros”, segundo Sartre. Alguém pergunte à prefeita Emília Corrêa, por exemplo, qual foi a razão do rompimento súbito com o vice-prefeito Ricardo Marques (outro que saiu à caça de votos depois de mostrar o rosto em horário nobre, âncora de telejornal). Eleitos numa mesma chapa, um e outro se tratam como inimigos públicos, correm em direções opostas, já não se falam, desafetos para sempre.
Não, eu não conheço Suzane Vidal. Assim como preferia jamais ter conhecido a faceta política e oportunista de Ricardo Marques. Vira e mexe, aborreço-me com o jornalismo da TV Sergipe, algo como um programa de auditório com um quê de prestação de serviço, admito. Posso me ater, portanto, ao trabalho realizado pela jornalista. Nada do que já foi levado ao ar, entretanto, sustenta alguma opinião mais consistente a respeito de uma inesperada ambição política. E estava muito bom assim.
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