Uma última vez, Bolsonaro

O pior do bolsonarismo (Arquivo)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O Supremo Tribunal Federal concluiu, finalmente, o processo contra Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tramar um golpe de estado. Apontado como o principal articulador e beneficiário de um plano sem pé nem cabeça, o ex-presidente vai cumprir pena na sede da Polícia Federal, em Brasília. Foi poupado da Papuda. Mas não de um sol que arde quadrado.
Volto a Bolsonaro, ansioso por virar a página e me livrar de uma vez por todas de suas fuças odientas, uma assombração de mau gosto. O comércio corrupto da família e seus subordinados não me assusta, sucede diversos episódios admitidos como vícios ordinários da República. O pior do bolsonarismo, contudo, insiste em me ferir os olhos e os ouvidos.
Foi por ocasião de uma cirurgia, por exemplo, que o deputado federal Eduardo Bolsonaro divulgou o lançamento de um calendário com fotos de Jair Bolsonaro. Na capa, o golpista exibe uma cicatriz no abdômen flácido, gerada pelo atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018. O deputado alegou, então, que as imagens expressavam a “trajetória vitoriosa” do papai.
Faço força para não ceder à tentação e aderir a teorias conspiratórias. Para todos os efeitos, Bolsonaro teve mesmo o bucho rasgado por um justiceiro de munheca mole.
Verdade seja dita, no entanto: a sanha criminosa de um tresloucado fez de Bolsonaro um presidente sem escrúpulos para escamotear a verdade. Não um Davi de Michelângelo. Não um perseguido político. Jamais um injustiçado.
Saiu barato para Bolsonaro, poupado da Papuda. Torço apenas para que o golpista nos poupe, a todos os brasileiros, em compensação, de novas assombrações, esquecido atrás das grades.
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