Vereador: todo mundo acha que pode!

Fato é que quando começar a campanha muitas cartas já estarão marcadas. Tem candidato que vai despejar rios de dinheiro e esses vão ocupar grande parte das vagas

* Antonio Passos

Certa vez um dirigente nacional do Partido Verde veio em Aracaju bater um papo com um grupo de pré-candidatos à Câmara de Vereadores, todos marinheiros de primeira viagem.
Macaco velho e bem-sucedido em termos eleitorais, o barbudão paulista foi logo tocando a real: “muita gente não consegue nem se entender com os vizinhos, mas acha que vai encher as urnas de voto”.
Das disputas eleitorais a de vereador é a que requer menos votos para alcançar a vitória. Porém é a que oferece a maior quantidade de pretendentes. É difícil uma campanha na qual cada eleitor não conheça pessoalmente uns dois ou três candidatos.
É também o enfrentamento para o qual os partidos precisam de mais gente concorrendo. Além da turma que disputa pra valer, tem partido que sai caçando candidaturas no laço pra completar a chapa.
Logo, minha amiga e meu amigo, se você tem mesmo o sonho de oferecer seu nome para uma candidatura ao legislativo municipal, não se preocupe, corra atrás e a oportunidade aparecerá.
Fato é que quando começar a campanha muitas cartas já estarão marcadas. Tem candidato que vai despejar rios de dinheiro e esses vão ocupar grande parte das vagas.
Em menor quantidade, algumas candidaturas poderão alcançar êxito por representar movimentos sociais ou entidades sindicais, mas isso é uma caminhada que leva anos ou décadas até amadurecer.
Tem também as ondas eleitorais, os candidatos da moda que por mais absurdos que possam parecer talvez sejam o elixir para livrar as eleições de uma total previsibilidade.
Eu mesmo já vi a temporada de sucesso dos advogados, dos carrancudos e enfezados, dos comediantes e mais recentemente dos policiais e militares. Qual será a próxima? Ninguém sabe!
O problema é que essas candidaturas excêntricas, impulsionadas por modismo, quase sempre dão em péssimos mandatos. Logo se aliam e dissolvem entre os eleitos pela força da grana.
De qualquer modo, fica a dica lá do início do texto: se você não demonstra nenhum carisma na comunicação cotidiana com as pessoas que estão por perto, por que diabo você acha que vai cair nas graças do povo?
Por outro lado, é preciso dizer: as mudanças e novidades na política só acontecem porque são precedidas pelos sonhos e desejos, por mais improváveis que possam parecer.
Neste momento, nos bastidores, já corre um intenso movimento de novas caras que em breve vão começar a aparecer… Tchan, tchan, tchan, tchan…

* Antonio Passos é jornalista

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