Violência e crueldade

A reclamação é por segurança, motivada pelo assassinato de mais um motorista de aplicativo nos limites de Sergipe. A estratégia adotada para vocalizar a insatisfação com o serviço da polícia no estado, por sua vez, segue a cartilha de qualquer sindicato organizado em torno de justos interesses classistas. Mais e mais, os profissionais explorados pela uberização do trabalho se percebem como uma categoria.
Há quem diga que o trabalhismo agoniza, superado pela relação direta entre os chamados “colaboradores” e plataformas de serviços, uma deformação da conhecida lei da oferta e da procura, agora mediada pela tecnologia. Mas não foi o que se viu ontem, quando centenas de motoristas de aplicativo saíram em carreata, até fechar uma via de grande fluxo de veículos, por horas a fio. O protesto cobrava providências para evitar novos crimes, após o corpo de um motorista ser encontrado com sinais de esfaqueamento em um canavial no município de Laranjeiras. Este foi o terceiro caso de homicídio entre profissionais da área registrado em 2022.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) estende as mãos atadas, quase a dizer que não há meios de coibir assassinatos no estado. As autoridades mencionam o trabalho preventivo com blitze, além de destacar flagrantes e mandados de prisão já cumpridos. De fato, sem a colaboração das empresas que capitalizam o risco dos motoristas, como se o medo fosse um algoritmo, não há o que fazer.
Convém, entretanto, atentar para a natureza ainda muito precária das relações de trabalho entre motoristas de aplicativo e as plataformas que mediam o contato com os passageiros. Diversas sentença judiciais já confirmaram a responsabilidade das empresas com a segurança e bem estar de seus “colaboradores”. No fim das contas, trata-se de trabalho, com patrão e empregado, ponto final.

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