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Violência e sociedade degradada


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Publicado em 15 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* André Barroso

Tom Jobim falava que Nova Iorque era a cidade das grosserias e das delicadezas. Dá para emprestar esses significados com certeza à cidade do Rio de Janeiro. No caso da cidade americana, Tom se referia as grocery Stores e as delicatessens. No caso da cidade carioca, os termos são referentes aos contrastes, que ostenta a agressividade da violência e ao mesmo tempo nos contempla com as belezas da paisagem e suas mulheres. A violência de cada dia no Brasil, apenas está em uma escalada, que transcende as questões políticas, se tornando uma epidemia sem controle. Haja vista, o caso dos 17 passageiros reféns na rodoviária do Rio. A ferida está aberta e não tem como não recordarmos do ônibus 174.
A vida em sociedade é gerida por sistemas de regras e valores morais para uma convivência harmônica coletiva. Michel Foucault falava sempre sobre isso. Para ele, a vida é composta de seres viventes e dispositivos. Regras. Nos dias atuais, a verborragia que impulsiona o discurso de ódio, sempre coloca a liberdade como pressuposto para fazer tudo que lhes vem à cabeça. Daí os processos de violência na sociedade passam diretamente sob as pessoas que nela vivem onde os conceitos de regras, valores, segurança e paz, simplesmente não existem. Nesse momento, no dia a dia, atos como namorar, dirigir ou apenas se deslocar, leva esses indivíduos a pensarem não apenas nesses atos, mas também o que fazer em condições de violência. Por exemplo, namorar em locais seguros sem utensílios caros ou dirigir com tranquilidade para não dar de cara com alguém armado.
Pela fama do carioca, podíamos imaginar que a grosseria poderia ser uma delicadeza mal interpretada. Mas o que vemos é o distanciamento do papel de um ser humano para aquele que age por interesses próprios e ameaçando sempre seu semelhante, que alimenta toda sociedade para uma esfarelamento do modelo pacífico de sociedade, e aumentando a sensação de enclausuramento, aumento de sistemas de segurança pessoal, seguros de vida, armas, câmeras e etc. Essa sociedade que se forma por puro aglutinamento de pessoas, passa a sentir medo desse mesmo propósito.
Hoje, nossa sociedade se envolveu com as ações mais degradantes e esqueceu as boas ações. O palavrão se transformou no qualitativo compulsivo dessa geração. Por vezes não se fala duas palavras sem ter que usá-las. “Os estrangeiros que aqui chegam, aprendem primeiro o palavrão e depois um ‘por favor'”. Aliás, precisam combinar o palavrão em uma frase, só para não parecer um estrangeiro. A violência em maior ou menor grau não deixará de existir, se aqueles que a compõe não fizerem o esforço de tolerância, compreensão, atingindo os valores morais e querendo o bem comum.
As diversas formas de violência continuarão a existir, pois mesmo tendo o esforço comum, teremos problemas como desigualdade social, exclusão, feminicídio, racismo, fome, miséria, grilagem e perversões. O aglutinamento humano gera sempre insatisfação do outro, gerando através da inveja, ira e ódio, comportamentos cada vez mais agressivos. Começamos com clavas e terminamos com a bomba atômica. Não é a toa que o filme Oppenheimer foi o grande vencedor do Oscar 2024. Um reflexo deste momento de nossa sociedade. No caso do Rio de Janeiro, começamos o dia vendo policiais fazendo festa de aniversário para milicianos e terminamos o dia com um sequestro de ônibus.
Devemos amplificar os valores que queremos como sociedade. Devemos ter alegria em sair de casa e se embriagar com a beleza da manhã. Devemos terminar o dia com quem amamos em um café a beira mar e sentir bem para dizer: Eu te amo.

* André Barroso, artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB.

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