Volta de diálogo

Os governadores brasileiros se reuniram ontem com o presidente Lula, oportunidade em que foi redigida a Carta de Brasília. O documento divulgado aos quatros ventos faz alusão aos acontecimentos recentes, demarcando posição em favor da Democracia. Ao fim e ao cabo, a preocupação maior é outra, de natureza estritamente pragmática. Os gestores estaduais cuidam, em primeiro lugar, das razões da Economia.
A Democracia é um valor inegociável, como afirma a Carta, isso é ponto pacífico. No documento em questão, no entanto, esta é um meio para alcançar um ambiente de negócios o mais favorável. Um eventual estado de bem estar social é derivado.
“Somente por meio do diálogo que ela (a Democracia) favorece poderemos priorizar um crescimento econômico com redução das nossas desigualdades e das mazelas sociais que hoje impõem sofrimento e desesperança para uma parcela significativa da população brasileira”, afirma a Carta. E prossegue:
“O encontro de hoje ratificou o desejo de todos para que o pacto federativo funcione em um ambiente cooperativo e eficiente para superarmos os entraves econômicos e para lidarmos com as grandes necessidades do povo brasileiro”.
A questão está posta. Sem a efetivação de um novo pacto federativo, sem a sempre adiada reforma tributária, estados e municípios em apuros financeiros dificilmente sairão do buraco. O fato é um só: Com a economia estagnada, ameaçando andar para trás, a crise fiscal ganha ares de um pesadelo administrativo sem precedentes.

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