Rian Santos
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Acostumei-me a tropeçar na sanfona de Mestrinho, quase sem querer. O encontro é recorrente, a ponto de soar previsível. Isso de dar com um dos nossos em trinados de sucesso comercial, entretanto, passa longe de evento ordinário, desses que acontecem todo dia.
Gosto de andar a esmo, sem destino certo, pelos caminhos superpovoados da internet. Foi assim que dei de cara com o projeto Dominguinho – reunião musical de Mestrinho, Jota Pê e João Gomes -, recém premiado com o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Raiz em Língua Portuguesa.
A sanfona está lá, claro! Mas não se trata aqui de algo parecido com o nosso bom e velho forró, longe disso. Ainda assim, a música de Dominguinho alegra.
Desde o pop edulcorado, com acento de uma tal Nova MPB, tão adequado ao timbre de Jota Pê, até as arestas na voz de João Gomes e do próprio Mestrinho, inegavelmente nordestinos, tudo ali é pesado e bem pensado para chegar ao denominador comum de um presumido gosto médio. O sucesso é meta. Ainda assim, diga-se de novo, o registro possui momentos muito felizes.
Um dia desses, a cantora Amorosa reivindicou para si a indicação de Mestrinho para integrar a comitiva sergipana reunida para divulgar o forró pé de serra lá nas Oropa, na outra banda do mundo. A razão, ela explicou em artigo publicado neste Jornal do Dia, é muito simples: o nome de Mestrinho agrega.
“Quando fui convidada em novembro de 2024 pela presidente nacional para compor a equipe da delegação brasileira, como cantora e palestrante, defendi o nome de Mestrinho como nossa representação geracional e midiática do circuito. O fiz por entender que a leitura contemporânea dos atores culturais com notoriedade, deve ser respaldada como linha de frente em favor de um coletivo maior”.
Está aí tudo dito e confirmado pelo Grammy agora arrematado. Mestrinho é nosso. E o seu sucesso nos faz bem.


