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8 de janeiro: memorial para nunca mais


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Publicado em 29 de dezembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


* Ronaldo Lima Lins
 
Quando o ano se aproxima do final, depois de tantas conquistas e alguns dissabores, parece inevitável o ritual do balanço. Um olhar para o que se passa na Argentina, traz uma onda de conforto pelo que já passamos e agora estamos passando.
No entanto, aproxima-se o 8 de janeiro, a recordação funesta dos bárbaros que invadiram e quebraram os Três Poderes, imaginando um golpe de estado, com Jair Bolsonaro à frente. Seguidores do dito cujo, conscientes da dimensão da catástrofe em termos de dignidade nacional, esforçaram-se em reinventar os acontecimentos, como se eles resultassem de agentes infiltrados do governo para desgastá-los.
Nada provou a tese e o Tribunal Superior Eleitoral, com Alexandre de Moraes e o apoio dos demais ministros do Supremo, está julgando os infratores de acordo com o império da Lei. Cabe reconhecer, no entanto, a presença da oposição, nem sempre responsável e bastante feroz, no Congresso Nacional, atenta para qualquer campanha que consiga desmoralizar o governo, o que até hoje não aconteceu. Trata-se de um fenômeno que provoca gritarias e apupos, como se observou durante a sessão de apresentação da reforma tributária com presença do Presidente da República. Um grupo de opositores, com as caras de hábito, aparece nas fotos berrando e vaiando, enquanto muitos outros, ao contrário, aplaudiam e consagravam a figura do importante dirigente.
Dos conflitos resultaram um tapa no deputado Messias Donato que, no dia seguinte, chorava as mágoas em plenário, contando com os projetos de reparação. Esta assembleia não se mostra muito afeita a providências quanto à ética, mas vamos ver no que vai dar… Claro que um parlamentar não pode agredir o outro. A vítima, contudo, não pode empurrá-lo para lhe tomar à força o celular. No cômputo geral, todo mundo errou, fruto de impunidades anteriores que oferecem a impressão de eternas complacências. Por outro lado, a Terra continua a girar.
Quando a memória ressurge, a evidência de que algo tem de acontecer do ponto de vista de uma avaliação dos fatos, salta aos olhos. Se vivemos numa democracia e desejamos preservá-la, 8 de janeiro nunca mais! Que os saudosistas, cada vez mais isolados, mesmo aos berros de vez em quando, esbarrem na contundência da História constitui o desejo da maioria, disposta a resistir e lutar pelo pão nosso de cada dia e uma sociedade justa. Ainda que o bom aprendizado às vezes transmita a sensação de impossível, sabe-se que a humanidade se refaz e se reorganiza através da experiência. Daí a importância do Nunca Mais, em prosa e verso, cantado aos quatro cantos no território nacional. Com a vida bem sucedida que levou e continua levando, Lula conhece a importância da História e a entende como respeitável. Desta feita, promete-se um momento de reflexão, com os Três Poderes de novo em pé e cumprindo os seus deveres.
Que os dorminhocos despertem e que os frustrados lambam as suas feridas. Detidos na Papuda e os que terminarão lá, ainda em processo de avaliação, ponham as barbas de molho. O país se mostra cansado de barbárie. Pobres e remediados valorizam as medidas de caráter social em nome da libertação da miséria. Este soa como o memorial a ser erguido, para que as gerações futuras respeitem os nossos contemporâneos. Assim se ergue uma boa república, festejada dentro e fora de suas fronteiras.
 
* Ronaldo Lima Lins, escritor e professor emérito da Faculdade de Letras da UFRJ
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