Corrupção a mancheia

“O povo tem o direito de saber com quem trata o presidente Bolsonaro, quando trata, em quais termos”

Quem não deve não teme. Se o dito popular conter alguma vírgula de verdade, o presidente Bolsonaro deve explicações aos brasileiros. O JORNAL DO DIA aponta aqui a medida inexplicável de colocar os encontros entre o presidente e pastores acusados de negociatas criminosas sob um sigilo de 100 anos.
A desculpa apresentada para justificar a medida não convence. Segundo o Gabinete de Segurança Institucional, trata-se de resguardar o presidente e seus familiares. O manto de obscurantismo, no entanto, só foi levantado após as denúncias de corrupção emergirem.
O povo tem o direito de saber com quem trata o presidente Bolsonaro, quando trata, em quais termos. Alegado risco à segurança pessoal não encontra respaldo em dados da realidade. Em verdade, o presidente teme que o envolvimento declarado pelo ex-ministro da educação Milton Ribeiro, exonerado no rastro do escândalo, acabe confirmado por uma relação pessoal muito próxima com os acusados.
Bolsonaro não cansa de alardear uma suposta retidão, estendida a todos os seus colaboradores. As denúncias de corrupção mais robustas, entretanto, acumulam desde o período de campanha, a começar pela contratação de funcionário fantasma no prolongado e infrutífero período em que o presidente exercia função política na Câmara dos Deputados. Os dados probatórios são fartos. O espectro tem até nome próprio, uma marca conhecida nos quatro cantos do Brasil. Aos desmemoriados, convém evocá-lo com todas as letras, o passado que bate à porta do presidente, com surpreendente intimidade, atende por Wal do Açaí.

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