O Sete de Setembro

Ano passado, o sete de setembro virou palco do maior escândalo nos anais da história recente do Brasil. Naquela oportunidade, o presidente Jair Bolsonaro declarou em alto e bom som, à frente de milhares de testemunhas, que não aceita nenhuma espécie de limite, nem mesmo os demarcados pela Constituição. Em português chulo, Bolsonaro declarou estar acima da Lei e de todos os homens, fez pouco caso dos princípios democráticos, do regime vigente e de suas instituições.
Tamanha afronta, era de se esperar, teria de provocar uma reação proporcional. Infelizmente, não foi o que ocorreu. Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, aliado do presidente golpista, realizou um discurso cínico, propondo diálogo. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, na mira de ataques reiterados por dias a fio, defendeu o pleno funcionamento do Poder Judiciário. E parou por aí.
A rigor, Bolsonaro ficou impune. E, também por isso, pode voltar à carga hoje. É certo que ele não tem a musculatura necessária para promover um golpe de estado, como ameaçou ao longo de todo o mandato. Mas segue corroendo a República por dentro, inflamando uma horda de apoiadores fanáticos contra o STF, as urnas eletrônicas, as próprias eleições.
Bolsonaro é hoje o inimigo número um da democracia verde e amarela. Mas ainda não encontrou resistência de fato. Os guardiões do regime contam o dinheiro das verbas distribuídas pelo Palácio do Planalto, usam e abusam da retórica em anódinas notas de repúdio. Restará ao eleitor, se assim o desejar, munido do direito ao voto, dar um basta à campanha golpista do presidente.

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