Derrotado nas urnas, o presidente Jair Bolsonaro condenou o semiárido nordestino a morrer de sede. Não se sabe ainda se por má fé, incompetência ou retaliação.
Senadores de diversos partidos políticos exigem explicações. Eles pedem ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União que apurem os fatos. As representações informam que a operação Carro-Pipa -uma parceria entre Exército Brasileiro e o Ministério do Desenvolvimento Regional- teve os recursos cortados logo após a eleição, afetando 1,6 milhão de pessoas da zona rural. Os senadores cobram abertura de investigação sobre os motivos que levaram à suspensão do programa – essencial para a vida dos sertanejos que vivem em áreas rurais.
Das razões de Bolsonaro, espera-se, logo se saberá. A questão de fundo, no entanto, é igualmente grave. Trata-se aqui de um problema secular, perpetuado por conveniência econômica e falta de vontade política. Por isso a sede é velha conhecida de pelo menos 125 mil sergipanos. Sem água boa de beber, os sertanejos esperam o caminhão pipa enquanto observam o gado magro morrer no solo rachado, eles próprios maltratados pela falta de água. Esta, a dimensão humana do flagelo.
Boa parte da população nordestina ainda vive sob o julgo dos poderosos e do próprio tempo. No nordeste, onde efeitos climáticos completamente previsíveis possuem consequências desastrosas no cotidiano de muita gente, o povo olha para o céu como quem encarasse a face de um deus impiedoso, que cobra no sofrimento dos homens uma oferenda ao próprio deleite. Cá embaixo, no entanto, ricos e poderosos sem escrúpulos deitam e rolam sobre o sofrimento dos sertanejos. Neste particular, infelizmente, Bolsonaro é só mais um.
A operação Carro-Pipa teve os recursos cortados logo após a eleição, afetando 1,6 milhão de pessoas da zona rural

