Contas públicas

Em termos econômicos, o Brasil não mudou muito desde o tempo da colonização, quando esteve subjugado sob o domínio da coroa portuguesa. Ainda hoje, em pleno século XXI, o País permanece sujeito a uma relação comercial desigual com o resto do mundo e, sobretudo, as grandes potências industriais. Entrega a riqueza mineral gerada por um extrativismo o mais primitivo a preço de banana e compra de volta tecnologia de ponta. Daí a vulnerabilidade ante as oscilações de humor do mercado mundial.
Isso não mudou com a eleição de Lula. Agora mesmo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou ontem uma série de medidas ficais para fazer o governo registrar superávit primário em 2023. As medidas envolvem reversão de desonerações, mudanças no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e uma nova renegociação especial de dívidas chamada Programa Litígio Zero.
De acordo com o Ministério da Economia, as mudanças poderão fazer o Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrar, no cenário mais otimista, superávit primário de R$ 11,13 bilhões em 2023, contra previsão de déficit de R$ 231,55 bilhões estabelecido no Orçamento Geral da União deste ano.
Não basta, entretanto, exportar mais que importar. Há que se considerar também o valor agregado ao produto por meio do qual o País busca espaço no mercado. Sem investimento em educação e tecnologia, no entanto, o Brasil é ainda um mero peão no tabuleiro do comércio mundial.

Compartilhe esta notícia